Mercado sente falta de qualificação
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sexta-feira, 17 de junho de 2005
Da Redação 
O pequeno, mas perceptível aquecimento na economia brasileira está confirmando um dado que as empresas já vinham sentindo há algum tempo: a carência de mão-de-obra técnica qualificada para ocupar as vagas abertas no mercado.
A realidade das empresas mostra que maioria dos jovens que procuram oportunidades de trabalho não está preparada para as vagas oferecidas. Em contrapartida os empresários clamam por mão-de-obra técnica qualificada que venha a atender as necessidades do mercado.
No Brasil de hoje está ocorrendo um fato interessante: a cada dia abrem-se novas faculdades por todo o país formando uma legião de universitários, porém, a realidade do mercado mostra que a necessidade emergencial é por quadros técnicos. E não são criados cursos técnicos na mesma proporção que o mercado necessita.
Segundo a professora Maria Aparecida Scarpin, coordenadora do curso de Ciências Contábeis da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a extinção dos cursos técnicos no ensino médio contribuiu para agravar este contexto, pois com o curso técnico o jovem adquiria uma profissão e ingressava na universidade com mais maturidade para absorver os conhecimentos oferecidos pela graduação.
''As empresas inseridas num ambiente capitalista onde microempresas competem com multinacionais o custo de um profissional graduado é incompatível com o seu orçamento'', reforça Maria Aparecida.
De acordo com a contadora e empresária Shirlei Aparecida Gonçalves Ferraz, o custo final de um empregado com salário de R$ 380 (piso do comércio) é de R$ 623, remuneração, segundo ela, não condizente ao jovem graduado.
Para tentar amenizar o problema, o governo criou a lei 10.748 que incentiva o primeiro emprego oferecendo uma subvenção econômica de R$ 125 mensais por empregado, porém a adesão a este programa não foi significativa, talvez devido a forma de divulgação ou pela burocracia no cadastro ao programa.
Como não há perspectivas a curto prazo de o governo resolver o problema, empresas e entidades empresariais estão tomando a frente do processo.
Em Londrina o Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade (Sescap-LDR), criou a Escola Oficina para capacitar profissionais para atender as empresas de contabilidade. Gabriella Maria Meneguetti, coordenadora do projeto, afirma que esta iniciativa surgiu para suprir a necessidade das empresas que buscam mão-de-obra qualificada.
Recentemente, também em Londrina, a rede de restaurantes Dá Licença promoveu um curso para formar futuros funcionários; a Milenia Agro Ciências, tem uma escola chamada Formare, que prepara jovens de famílias de baixa renda para o mercado de trabalho; a empresa Bordignon criou cursos para formar profissionais na área de construção civil.
''Sabemos que o governo não consegue resolver todas as demandas da sociedade. E o fato é que não devemos ficar alheios à situação, de forma que as entidades em conjunto com as empresas e o governo podem ajudar a suprir esta deficiência na educação profissional'', explica Marisa Ribeiro Furlan, coordenadora da Escola Oficina.


