Mercado se prepara para celulares de 3ª geração
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segunda-feira, 04 de abril de 2005
Renato Cruz<br>Agência Estado 
São Paulo - O sucesso de uma nova tecnologia costuma ser explicado pelo conceito de ''killer app'', a aplicação matadora que leva uma grande massa de pessoas a adotá-la. Para o computador pessoal, foi a planilha de texto. Para a internet, o navegador, ou browser. E para a telefonia celular de terceira geração (3G)? Se for levada em conta a experiência de países como a Coréia do Sul e o Japão, até agora, o grande atrativo para a 3G foram celulares legais. ''Os modelos mais sofisticados vêm preparados para a 3G'', afirmou o consultor sul-coreano Richard Lee, da McKinsey, que participa amanhã do evento Tela Viva Móvel, em São Paulo.
Mais de 50% dos usuários de telefonia móvel na Coréia do Sul e de 25% no Japão já usam celulares 3G. No mercado sul-coreano, as aplicações mais populares são música, televisão e conteúdo adulto. No Japão, são jogos, decoração do aparelho (como toques e telas de fundo) e outros conteúdos de entretenimento. ''Os aparelhos celulares passam a ter tocadores de MP3 integrados'', contou Lee. ''As pessoas baixam as músicas no computador e copiam para o celular.'' Ou seja: não geram negócio para a operadora móvel, e sim para a fixa. Para reverter a situação, as operadoras sul-coreanas estão lançando sites de download pago de música.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) planeja vender licenças de 3G no Brasil até o fim do ano. As operadoras acham que é cedo. A partir da experiência asiática, Lee recomenda cautela às empresas. ''Elas precisam avaliar com muito cuidado o custo das licenças, da infra-estrutura e da instalação, e estimar de forma conservadora as novas fontes de receita'', explicou o analista. Apesar do grande investimento na nova tecnologia, não houve aumento de receita média por assinante no Japão e na Coréia. ''O aumento no faturamento com serviços de dados acabou compensando a queda na receita de voz.''
Para os próximos meses, Lee identifica como grande tendência a TV no telefone. Não mais pela rede celular, mas por satélite ou pelos canais de TV aberta. Na Coréia, os clientes poderão em breve assinar o serviço via satélite por um preço entre US$ 10 e US$ 15, e receber no celular 12 canais de vídeo e vários de música. No Japão, começa este ano a transmissão de TV aberta para o celular. E de graça.


