Mercado se preocupa com Mantega na Fazenda
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segunda-feira, 27 de março de 2006
Agência Estado 
São Paulo - O mercado financeiro operou pressionado ontem - durante todo o dia - pelas incertezas em relação ao futuro do ex-ministro da Fazenda E, assim que a saída de Antônio Palocci foi confirmada, a primeira reação no setor dos juros foi de alívio. Primeiro, porque o fato havia sido antecipado ao longo do dia. Mas também porque os players trabalhavam com a hipótese de que o substituto de Palocci seria Murilo Portugal. Em meio aos rumores, outros nomes chegaram a ser cogitados (inclusive o do presidente do BC, Henrique Meirelles).
Depois de boatos e de informações desencontradas - o termo ''afastamento'' deixou a dúvida sobre se Palocci estava deixando definitivamente ou apenas temporariamente o cargo -, surgiu a informação de que Mantega seria o novo ministro da Fazenda. Nesse momento, os juros voltaram a subir e fecharam em níveis superiores aos do encerramento do pregão viva-voz.
Profissionais explicaram que Mantega representa a ala do governo que defende o afrouxamento tanto da política monetária quanto da fiscal. ''Ele tem um discurso desenvolvimentista, defende queda de juros, e isso vai deixar o mercado preocupado'', afirmou um operador.
Nervosismo -A escolha de Guido Mantega para o ministério da Fazenda era um dos cenários menos desejados pelos investidores e analistas de Wall Street e a City londrina. Embora ainda estejam digerindo a notícia, eles alertam que as incertezas com gerenciamento econômico do País no longo prazo, principalmente caso o presidente Lula seja reeleito, vão crescer. Mas como quase ninguém acredita que o presidente alterará as bases da política econômica neste ano eleitoral, o impacto negativo da mudança na Fazenda, que deverá ficar mais pronunciado hoje nos mercados, poderá ser limitado.
Considerado um dos principais expoentes da ala desenvolvimentista do governo, uma das fontes mais graduadas do ''fogo amigo'' contra a política monetária e protagonista de várias trocas de farpas com diretores do Banco Central e o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, Mantega terá que dar provas aos investidores que manterá, no longo prazo, os atuais pilares da política macroeconômica.
''Até agora, os investidores e eu mesmo dormíamos tranqilos com o Palocci'', disse um diretor de um banco espanhol. ''A partir de agora temos uma dose de incerteza no comando da economia que poderá atrapalhar o nosso sono.'' Ele observou que como os investidores sempre antecipam cenários para tomar suas decisões, um nervosismo crescente com o Brasil nos próximos meses não pode ser descartado ''caso Mantega emita sinais preocupantes''.
Alguns analistas criticam a capacidade de Mantega de comandar a economia. ''Quando ele esteve aqui em Londres em 2002, antes da eleição de Lula, a impressão foi muito ruim, os investidores acharam ele muito fraco'', disse um estrategista de investimentos da City. Para outros, isso se trata de uma virtude. ''O Mantega responderá sem hesitar as ordens do chefe, ou seja, o que o Lula mandar ele fará'', disse uma analista de Wall Street.


