Mercado se acalma, mas o IGP-M é sinal de alerta
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segunda-feira, 09 de abril de 2001
Agência Estado De São Paulo 
A principal notícia de ontem para o mercado de juros veio no final da tarde, quando os negócios no pregão regulamentar já tinham sido encerrados: a primeira prévia do IGP-M de abril e a primeira a incorporar o impacto de alta do dólar ficou bem acima do esperado, em 0,48%, para previsões entre 0,20% e 0,40%.
Este resultado é um forte sinal de alerta para o mercado. Se outros índices vieram também com tanta pressão, o mercado vai temer pelo cumprimento da meta inflacionária de 4% para o ano. E vai elevar suas projeções de juros, certamente aguardando nova alta da taxa Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), dias 17 e 18 de abril.
Até a divulgação desta primeira prévia, o mercado comportou-se com tranquilidade, num dia em que as bolsas norte-americanas estiveram calmas, não havia divulgação de nenhum indicador econômico importante nos EUA e nenhuma notícia catastrófica veio da Argentina.
Na BM&F, o DI outubro, contrato de DI futuro mais negociado na BM&F, fechou o dia com projeção de 18,71%, ante 18,94% do fechamento de sexta-feira passada. O DI julho, segundo mais negociado depois do de outubro, projeta agora 17,73%, ante 18,12% da sexta.
A semana, porém, ainda reserva muita expectativa sobre inflação. Na quarta-feira, serão divulgados o índice da Fipe referente à primeira quadrissemana de abril (a expectativa do mercado está entre 0,45% e 0,55%) e o IPCA do mês de março (expectativa entr e 0,30% e 0,40%). Dois índices que serão fundamentais para o Copom tomar sua decisão sobre a Selic.
O dólar comercial recuou nesta segunda-feira, para fechar cotado na venda a R$ 2,159, queda de 0,32%. Um conjunto de boas notícias ajudou a deprimir o dólar: uma entrada de recursos à tarde pelo Unibanco, o superávit da balança comercial na 1ª semana deste mês e o cenário externo relativamente estável. O giro financeiro no mercado à vista, no entanto, foi fraco, de cerca de US 1,408 bilhão, ante US$ 2,341 bilhões movimentados na sexta-feira.
O fluxo positivo foi fundamental para a queda do dólar. À tarde houve um ingresso de cerca de US$ 125 milhões pelo Unibanco e, pela manhã, o Santander também vendeu cerca de US$ 30 milhões.
No front externo, a recuperação das bolsas nos Estados Unidos, depois das firmes quedas de sexta-feira, aliviou momentaneamente a preocupação do mercado com a desaceleração da economia norte-americana. A Nasdaq fechou em alta de 1,47% em reação positiva à revisão em alta das projeções do portal de vendas pela internet Amazon.com. O Dow Jones também encerrou com avanço do 0,55%.
Em uma segunda-feira com fraco volume de negócios, o índice Bovespa fechou em alta de 1,62% na máxima do dia , embalado pela valorização das bolsas de valores norte-americanas e pela melhora do desempenho dos mercados domésticos de câmbio e juros.
(Marisa Castellani, Silvana Rocha e Mário Rocha)


