Mercado se acalma, após semana agitada
As pessoas que tinham dinheiro aplicado em fundos DI ou de renda fixa tiveram uma semana bastante tensa por causa de perdas recordes nas aplicações. As variações ocorreram por causa de uma correção determinada pelo Banco Central (BC). A autoridade monetária teve que agir durante a semana para acalmar o mercado, que fechou a sexta-feira com o dólar caindo e com as bolsas subindo. Com isso os investidores, que foram pacientes e não sacaram as aplicações, podem começar esta semana mais tranquilos.
Os fundos DI e de renda fixa são tidas como as aplicações de menor risco no mercado, perdendo apenas para a poupança. Mas enquanto os fundos renderam em média 15% nos últimos 12 meses, a poupança rendeu apenas 9%. Os gestores dos fundos são obrigados, por lei, a investirem 80% do patrimônio em papéis de baixo risco. A maior parte deles compra Letras do Tesouro Nacional (LTNs) ou Letras Financeiras do Tesouro (LTFs), ue se enquadram nesta modalidade, já que a possibilidade de calote por parte do governo federal é pequena.
Mas com o crescimento do candidato de oposição à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e com o pálido desempenho do candidato tucano José Serra nas pesquisas de intenção de voto, o mercado começou a especular sobre o risco do próximo presidente não honrar a dívida com os bancos. Em função do cenário eleitoral, os papéis com vencimento mais longo estavam sendo negociados com pequena depreciação, relata o diretor da Spirit Corretora de Valores, Ricardo Moraes Filho.
De acordo com declarações dadas pelo presidente do BC, Armínio Fraga, o órgão antecipou o ajuste que seria aplicado apenas em setembro porque senão os pequenos investidores seriam prejudicados. O Banco Central notou que muitos gestores estavam vendendo por menos o papel, e se não fosse feita a atualização, quem ficasse no fundo poderia ter papéis que não valem nada na hora do resgate, disse o analista de investimentos da Century Gestão de Recursos, Mohamed Talah Júnior. Por isso é que a marcação a mercado (o ajuste diário dos papéis), é defendido pelos analistas, apesar de ter provocado perdas de até 4,7% na semana passada. A tendência agora é que os títulos tenham rentabilidade mais alta, porque sofreram o deságio da semana passada, avalia Moraes.
O BC trocou cerca de R$ 25 bilhões na semana passada, comprando títulos com vencimento para os próximos anos e vendendo papéis com prazos mais curtos. Com isso, a sangria dos fundos foi suspensa e o mercado se acalmou. Mas os analistas recomendam cautela a todos os investidores e acompanhamento constante das aplicações. O pior risco é a falta de informação, observa Moraes.





