Mercado 'respira' após discurso de ACM. Dólar cai e bolsa sobe
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quarta-feira, 30 de maio de 2001
Agência EstadoDe São Paulo 
O dólar derreteu ontem com o alívio do mercado em relação ao risco ACM. Tesourarias de bancos e exportadores detonaram ordens de venda de dólar logo após o início do discurso de renúncia do senador Antonio Carlos Magalhães, por causa da percepção de que ele não iria fazer novas denúncias de corrupção no governo nem contra o presidente Fernando Henrique Cardoso.
O comercial subiu pela manhã até 0,77%, a R$ 2,365, mas despencou durante a fala do ex-senador baiano para fechar muito perto da mínima, vendido a R$ 2,343, em queda de 0,17%. Na mínima de ontem, o pronto foi vendido a R$ 2,342 (-0,21%).
Os profissionais de câmbio consideram difícil prever uma tendência para a moeda, porque persiste o principal foco de preocupação do mercado: as incertezas sobre os efeitos da crise de energia no economia brasileira. Para o mercado, a crise argentina deixou de ser um motivo forte de tensão, por causa da expectativa de finalização do swap (troca) da dívida desse país até amanhã e do anúncio do resultado (volume total da troca e taxas pagas aos investidores) na segunda-feira, às 9h30. De todo modo, os investidores continuam monitorando a evolução das negociações do swap.
Foi um alívio, resumiu um executivo de Bolsa depois do discurso de renúncia de Antonio Carlos Magalhães. Ainda que o mercado não tenha colocado todas as fichas em bombas vindas do ex-senador baiano, momentos antes do início do discurso, os nervos ficaram à flor da pele e o Ibovespa tocou a mínima do dia, registrando queda de 0,74%. Mas à medida que o tom do discurso ia se delineando, os investidores relaxaram nada havia de novo contra o presidente Fernando Henrique. A partir daí, o Ibovespa zerou as perdas, inverteu a mão e acabou fechando em alta de 0,24%. Segundo operadores, a recuperação só não foi mais acentuada porque as bolsas caíram muito em Nova York a Nasdaq perdeu 4,18% e o Dow Jones, -1,51%. O volume financeiro no pregão paulista somou R$ 554 milhões.
Os juros também caíram na ressaca do discurso de ACM. No encerramento dos negócios de ontem na BM&F, as projeções dos juros futuros estavam assim: DI de outubro em 19,77%, ante 19,89% na terça-feira; DI de julho em 17,46% ante 17,51% na terça. E o DI a termo de um ano estava em 22,14%, ante 22,30% no fechamento de terça-feira. Passado o turbilhão ACM, o mercado agora vai se fixar em dois outros fatos importantes: a divulgação da ata do Copom, prevista para a manhã de hoje, e a conclusão do swap da dívida argentina. Até lá, o mercado ainda deverá ficar com as barbas de molho. (Silvana Rocha, Márcia Pinheiro e Mario Rocha)


