Mercado regional importa 90% das flores e plantas que consome
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terça-feira, 23 de setembro de 1997
Guto Rocha Londrina 
César AugustoPrimavera Todo DiaViveiros na região de Londrina abastecem paisagistas e jardins domésticosO mercado de flores de corte e de plantas ornamentais movimenta anualmente no Brasil US$ 800 milhões, ou cerca de 3% do volume mundial, que é de US$ 4,7 bilhões. Ainda não existe um levantamento do volume que este mercado movimenta no Norte do Paraná, mas, segundo o presidente da Associação Norte Paranaense de Produtores de Flores e Plantas Ornamentais (Aflopar), Célio Francisco, 90% das plantas e flores comercializadas na região são importadas, principalmente de São Paulo. O setor reúne 45 produtores na região, dos quais, 29 fazem parte da Aflopar.
Para mostrar a produção regional, a Aflopar abre amanhã às 15h30, a 1ª Mostra de Flores e Plantas. A exposição quer, segundo Francisco, integrar os segmentos de interesse do setor: que são os floristas e os consumidores. O evento também vai reunir empresas fornecedoras de equipamentos e insumos para o setor. Além da exposição, os visitantes poderão assistir a palestras sobre noções básicas de paisagismo e cultivo de orquídeas. A mostra será realizada no Shopping Centro da Moda, e vai até domingo, dia 28. A entrada é gratuita, e o horário de visitação vai das 9 horas às 22 horas.
Francisco, que produz crisântemos, afirma que toda a produção deste tipo de flor de corte é absorvida pelo mercado regional. Ele estima que na região são produzidos semanalmente entre 1,5 mil e 2 mil pacotes de flores e 1,5 mil vasos. Já em épocas especiais, a produção quase quadruplica. Só na minha propriedade estamos produzindo 8 mil vasos de crisântemos para Finados, e na região devem ser produzidas 9 mil dúzias de palma de Santa Rita, comenta.
O presidente da Aflopar afirma que a produção de flores de corte na região é praticamente limitada aos crisântemos. O crisântemo é uma flor versátil que é utilizada desde funeral até em casamentos e aniversários, comenta. Além disso, por ser cultivada em estufas, onde se controla a luminosidade, umidade e temperatura, os produtores têm condições de escalonar sua produção, de acordo com o mercado. É uma produção cronometrada, diz.
Mas, segundo ele, alguns produtores já estão testando a produção de flores de corte como a gérbera, boca-de-leão e lisiantus. Já estamos sentindo uma pressão grande por causa dessa especialização em crisântemos, a oferta é grande e os preços caíram, diz.
No caso da produção de plantas ornamentais, muitas espécies também são importadas de outras regiões. Segundo o produtor Valdecir Cavenato Rosa, a dificuldade de se produzir em escalas acaba inviabilizando o cultivo de algumas espécies. No caso da tuia, fica difícil concorrer com produtores de Santa Catarina, que em uma única propriedade chega a colocar 300 mil mudas/ano, observa. Mas Rosa garante que o mercado tem muito espaço para ser conquistado. O consumo aumentou, e além das floriculturas, as pessoas estão comprando flores e plantas em supermercados, comenta.
O produtor afirma que os modismos também influenciam neste mercado, principalmente as forrageiras. Há algum tempo estavam na moda os beijinhos americanos, agora a moda é o pingo de ouro, comenta. O produtor e paisagista Erich Franz Kuhnlein afirma que muitas plantas que estão na moda, como as bromélias, são inviáveis de se cultivar na região. Ele afirma que estas plantas são importadas da Colômbia e de São Paulo.
Francisco diz que a Aflopar, que foi fundada em maio deste ano, está trabalhando para levantar o potencial do mercado e descobrir quais são as plantas que não são cultivadas na região e têm grande procura, como forma de orientar novos produtores. Outro projeto da Aflopar, segundo o seu vice-presidente, Carlos Cavalcante Kuhnlein é trazer para os produtores novas tecnologias para melhorar a produção regional.


