Nas vésperas do Natal, o brasileiro está presenciando uma situação atípica até mesmo para os padrões da estabilização. Bens duráveis, como televisores, videocassetes, freezers, telefones celulares, microcomputadores - produtos que fazem parte do sonho de consumo do cidadão comum, especialmente no fim de ano -, registraram queda nos preços em novembro, segundo pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe). O índice geral da Fipe também apontou uma deflação de 0,05% no mês passado, resultado atípico para um mês de novembro.
O coordenador do IPC-Fipe, o economista Heron do Carmo, explica que em novembro de 1998 o indicador também foi negativo, mas ressalta que a retração dos preços naquele período era fruto da recessão, quadro diametralmente oposto do que ocorre hoje. No mês passado, diz o economista, a queda do IPC foi provocada pelo recuo dos alimentos que subiram além da conta de junho a agosto. No caso dos bens duráveis, Heron aponta a concorrência entre os fabricantes, os ganhos de produtividade e a abertura como fatores que contribuíram para a queda, apesar da demanda se manter aquecida.
Preços em baixa com recuperação real da massa de rendimentos recebidos pelos trabalhadores é uma combinação que aumenta ainda mais o poder de compra do consumidor neste fim de ano, ressalta o economista da Fundação Getúlio Vargas, Salomão Quadros. ‘‘A massa de salários - que é o rendimento de cada trabalhador multiplicado pelo número total de empregos - está se recuperando e a tendência é do processo se acelerar’’, diz ele.
Crescimento Dados mais recentes do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) mostram que em setembro, pela primeira vez neste ano, houve um pequeno crescimento de 0,4% na massa real de rendimento dos ocupados na Região Metropolitana de São Paulo ante igual período de 1999. O diretor-técnico do Dieese, o economista Sérgio Mendonça, explica que a recuperação da massa de rendimentos foi puxada pelo crescimento no número de empregos, que aumentou 5,2% em setembro na comparação com o mesmo mês de 1999. O rendimento médio real, que é quanto cada trabalhador recebe, porém, recuou 4,5% em igual período.
‘‘As empresas estão contratando mais, mas pagando rendimentos abaixo da média’’, diz Mendonça. Na sua avaliação, por conta dos outros indicadores já divulgados, como o crescimento da produção industrial, a expectativa é que o emprego e a massa de rendimento mantenham o crescimento no último trimestre deste ano.
‘‘Com certeza, este Natal será melhor do que o de anos anteriores, do ponto de vista do emprego’’, diz Mendonça. Com as contratações crescendo, a perspectiva de continuar empregado, os juros estáveis e a economia brasileira sem riscos de turbulências internas, os trabalhadores ficam mais confiantes para comprar a prazo, diz ele.

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