Brasília - Em reação a uma nota divulgada pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na véspera da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), o mercado começou a reavaliar sua posição e passou a apostar numa alta de juro de 0,25 e não de 0,50 ponto percentual. Alguns economistas chegaram a prever a possibilidade de a taxa Selic ficar inalterada nos 14,25% ao ano. Quebrando uma tradição de não se manifestar publicamente às vésperas das reuniões do Copom, o BC divulgou ontem nota na qual afirma avaliar como "significativas" as revisões das projeções sobre a economia brasileira feitas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) para 2016 e 2017.
Em seu comentário sobre as projeções, Tombini afirma ainda que "todas as informações econômicas relevantes e disponíveis até a reunião do Copom são consideradas nas decisões do colegiado." Segundo avaliação de analistas, a nota de Tombini, um dia antes de o BC definir a nova taxa de juros, foi divulgada para corrigir as expectativas do mercado, que apontavam majoritariamente para um aumento de 0,50 ponto percentual.
Logo depois da divulgação da nota, as projeções de mercado em suas operações já apontavam para a possibilidade de a taxa Selic subir de 14,25% para 14,50% hoje. Alguns analistas apostavam, inclusive, na possibilidade de o Banco Central optar por manter a taxa no atual patamar, em vez de fazer um movimento de alta como vinha sinalizando nos últimos dias.
A nota do BC foi interpretada pelo mercado como uma sinalização de que não deverá sancionar a expectativa do mercado de aumento da taxa básica de juros hoje de 14,25% para 14,75% ao ano. A interpretação é a de que o BC vai utilizar o documento do FMI como um argumento para manter os juros inalterados ou elevá-los a 14,50% ao ano.

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