Da Redação
O ‘‘1º Encontro Nacional dos Cafés do Brasil’’, realizado dias atrás, em Belo Horizonte, foi considerado pelos críticos e alguns veículos da imprensa nacional como um divisor de águas na história do comércio cafeeiro e na definição de tipos e qualidade de cafés. Para o Estado do Paraná, também. Ou mais do que isto, porque o evento - que reuniu toda massa crítica do setor, da produção à exportação - marcou a inserção dos cafés paranaenses entre os cafés de qualidade, com características e tipos definidos.
A partir daquele encontro técnico e de marketing, o café do Paraná será visto de outra forma: Não será o pior e, convenhamos, tampouco o melhor: mas será um café que tem características próprias, de boa qualidade, ‘‘Café Qualidade Paranᒒ. Ou ‘‘Mais um dos bons cafés brasileiros’’, como definiu o presidente do Iapar, Florindo Dalberto, ao proferir palestra no evento.
Obter este espaço entre regiões centenárias de São Paulo e Minas Gerais, certamente não foi tarefa fácil, reconhecem os técnicos da Câmara Setorial do Café. O produto do Paraná foi colocado na vitrine dos melhores cafés brasileiros à vista de grandes exportadores e indústrias nacionais.
Uma avaliação da participação do Paraná no ‘‘1º Encontro Nacional dos Cafés do Brasil’’, reuniu esta semana, no Iapar, técnicos do Instituto, da Emater, Seab além do presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli, e o diretor Arnaldo Coelho do Amaral Filho. Cafeicultor, engenheiro agrônomo e ex-presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores, Galli considerou ‘‘um passo importante’’ a participação do Paraná, mas observou que o produtor precisa ter o retorno dos investimentos em qualidade. Por enquanto o que se vê é a interferência do mercado ofertando cafés dos seus estoques e reduzindo preços. E também cobrou envolvimento da indústria - beneficiária da boa qualidade da matéria-prima - e do governo.
No encontro de Belo Horizonte, em que estavam presentes ministros, grandes exportadores e representantes da indústria nacional, o presidente do Iapar, Florindo Dalberto, fez um histórico do esforço paranaense - setores público e privado - para melhorar a qualidade. Explicou a origem do café adensado, mostrou ganhos de produtividade e como este sistema de plantio e manejo induz à melhoria do grão e da bebida. A exposição do Paraná impressonou o auditório, segundo os técnicos. ‘‘O café do Paraná é mais um dos bons cafés brasileiros’’, disse Dalberto, uma forma sutil de rechaçar a idéia de cafés paranaenses utilizados como ‘‘blends’’.
A participação do Paraná, embora não tenha sido esta a intenção, acabou se transformando em resposta a um velho hábito do comércio em que cafés finos do Paraná saem do Estado e viram cafés finos de Minas ou Alta Mogiana. Segundo o pesquisador Armando Androciolli Filho, do Iapar, muitas indústrias não sabiam que o Paraná produz cafés finos.
O novo modelo de café adensado deu certo porque resulta do Planto Integrado para a Revitalização da Cafeicultura do Paraná, liderado pelo governo do Estado, segundo Dalberto.
Lembrou que em abril do ano passado várias instituições desenvolveram a campanha ‘‘Café Qualidade Paranᒒ, visando entre outras técnicas, a colheita seletiva, processamento, secagem etc. Ao todo 320 técnicos atenderam 19 mil propriedades em 210 municípios. Análises em 597 amostras, coletadas na última safra para validar a campanha, resultaram em 76,7% de bebida dura a mole tipo 6 para melhor. Estes foram apenas alguns dados apresentados na palestra em Belo Horizonte, ilustrada com transparências e fotos.