Agência Estado
O mercado de renda fixa reagiu muito mal à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), anteontem à noite, de reduzir a taxa Selic (o juro básico da economia) em apenas um ponto porcentual, de 22% para 21%, ainda que com manutenção do viés de baixa. A maioria dos analistas consultados ontem não sabia dizer o que era pior: se a queda tão tímida dos juros - quando os mais pessimistas não ousavam apostas acima de 20,5%, ante uma maioria que previa 20% - ou se as justificativas enumeradas pelo diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, para explicar a decisão - a saber, expectativa de alta dos juros norte-americanos e a situação da Argentina.
Em relação aos juros norte-americanos, já há algum tempo o mercado tinha deixado de ficar tão ansioso, absorvendo (inclusive no preço dos ativos) a hipótese de o Fed decidir aumentar as taxas em 0,25 ponto porcentual. Aliás, vale lembrar que o próprio BC colaborou para dissolver esse tipo de preocupação do mercado - tanto por meio de declarações de suas autoridades, quanto pelo decisivo uso do viés de baixa no dia 8 de junho (a Selic caiu então de 23% para os 22% em que estava até anteontem).
O Banco Central surpreendeu ao baixar a taxa Selic em apenas um ponto percentual. Alegou cenário externo indefinido para sua postura conservadora. Se as bolsas de valores vinham numa postura cautelosa ante a possibilidade de o Fed subir os juros além de 0,25 ponto, ontem a reação foi mais emocional, respaldada pela suposta preocupação do BC.
O Ibovespa fechou em queda forte de 3,06%, mas com volume estreito de R$ 678 milhões. O giro financeiro mais modesto sinaliza que muitos investidores irão aguardar o Fed, que se reúne na próxima semana, para se repocionar nos pregões. No ranking das maiores altas do índice da carteira teórica paulista, apenas quatro ações subiram. A Bolsa do Rio também caiu: 2,41%.
O dólar disparou ontem, chegando a ser negociado a R$ 1,817 na máxima do dia no período da manhã. Depois, começou a recuar à tarde e, mesmo assim, encerrou a quinta-feira em alta de 0,50%, cotado a R$ 1,7960.

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