Agência Estado
De São Paulo
As bolsas de valores abriram tensas nesta quarta-feira, ainda refletindo o temor de uma correção maior no mercado novaiorquino. O Ibovespa chegou a cair 3,17% na mínima, antes mesmo de Wall Street começar a operar. Mas, à medida que o Dow Jones foi se firmando no azul, os investidores brasileiros passaram a considerar que os preços na Bovespa valiam à pena, após a queda acumulada de 7,26% nos dois primeiros dias do ano.
Com este sentimento mais positivo, o índice da carteira teórica paulista fechou em alta de 2,48%, nos 16.245 pontos. O Recibo de Telebrás PN valorizou-se 3,81%, para R$ 218 milhões. O volume negociado em São Paulo somou R$ 1,1 bilhão. Às 18 horas, o Dow Jones subia cerca de 160 pontos. A Bolsa do Rio fechou o pregão com alta de 1,38%.
Passado o susto da terça-feira, prevaleceu a avaliação de que os fundamentos continuam positivos para o Brasil e não há motivo para se temer uma reviravolta na economia norte-americana. O fato de o Banco Central europeu ter mantido suas taxas de juros inalteradas ajudou a aliviar as tensões. O BCE manteve a taxa de refinanciamento em 3%, enquanto a taxa de empréstimo no overnight permaneceu em 4% e a de depósito, em 2%, segundo a agência Dow Jones.
Não houve tempo, contudo, para as bolsas européias se recuperarem. Isso porque, até o fim dos negócios em Paris, Londres e Frankfurt, o Dow Jones ziguezagueou à vontade. A Bolsa de Tóquio fechou em baixa de 2,4%.
Da mesma forma como as cotações do dólar subiram com a queda das bolsas de valores nos dois primeiros dias úteis do ano, ontem o dólar fechou em baixa com a recuperação parcial dos preços das ações nos mercados doméstico e internacional. ‘‘O dólar fechou hoje dentro da banda FHC’’, comentou um operador em referência à afirmação do presidente da República de que o dólar entre R$ 1,75 e R$ 1,85 está ‘‘ótimo’’.
O mercado de câmbio teve ontem dois momentos distintos. Pela manhã, as cotações oscilaram ininterruptamente para cima e para baixo, sem definição de tendência. Nesse período, o câmbio acompanhava a volatilidade das bolsas e o mercado testou o Banco Central por duas vezes na expectativa de que o BC vendesse dólares. Numa delas, quando o dólar atingiu R$ 1,86. O BC não vendeu. Noutra vez, quando o dólar bateu R$ 1,87. Nesta segunda vez, o BC teria consultado somente um banco estrangeiro, que estaria apregoando a compra de um grande lote da moeda.
De acordo com operadores, o Banco Central teria apenas mostrado sua cara para inibir o ímpeto de alta do mercado e reduzir a volatilidade dos preços. E ninguém nas mesas de operações confirmou se o BC vendeu dólares ou não. À tarde, no segundo momento do dia, enquanto o Índice Dow Jones e o Ibovespa começaram a apontar para cima, as cotações do dólar iniciaram um movimento de baixa até o encerramento dos negócios.
Desta forma, o dólar oscilou ontem entre a máxima de R$ 1,8700 (no período da manhã) e a mínima de R$ 1,8380 (à tarde), para encerrar o dia em baixa de 0,81%, a R$ 1,8400.