A queda generalizada registrada ontem no mercado financeiro reflete a reação positiva em relação às medidas anuncidas pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Para executivos e operadores do mercado, o fim do teto e do piso dos juros dá mais flexibilidade ao governo para fixar novas taxas, sem precisar mais das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).
Isso não significa que o mercado ficará solto. Ao mesmo tempo, o BC elevou a taxa básica de 39% para 45% ao ano e definiu uma tendência de queda até a próxima reunião do Copom. ‘‘É um mecanismo semelhante ao utilizado pelo banco central americano’’, disse o diretor do banco francês CCF, Carlos Calabresi.
O Federal Reserve (Fed) indica apenas a tendência de taxa e, pelo que foi anunciado ontem por Fraga, a tendência dos juros brasileiros será de queda, mas tomando como base um nível de juros maior em relação ao dia anterior que era de 39%.
Até o início da noite de ontem, o mercado ainda não havia chegado a um consenso sobre quando seria adotada a nova taxa de 45%. Isso porque, nos três últimos dias, os bancos aplicaram suas reservas no BC a uma taxa de 39% por quatro dias. A última operação de ontem vence na quarta-feira. Se iniciar os negócios hoje a 45% ao ano, o BC vai provocar um descasamento entre aplicação e captação equivalente a seis pontos porcentuais, com prejuízos às instituições.
O mercado acredita que o novo nível dos juros deve durar pouquíssimo tempo, cerca de duas semanas, até haver uma melhora das expectativas. A partir daí, o BC deve atuar mais efetivamento no controle à liquidez.
O fato de o BC vir a poder utilizar o dinheiro do acordo com o FMI para irrigar o mercado de câmbio teve impacto imediato. No fim do dia, a moeda norteamericana era negociada a R$ 2,08 para venda, queda de 3,26% ante a véspera. A cotação média do dia, feita pelo Banco Central, também caiu. A ptax foi de R$ 2,1014 na compra e R$ 2,1022 na venda, queda de 2,89%.
Embora o dinheiro só chegue daqui a algum tempo e vá ser liberado gradualmente a cada mês, a possibilidade de haver um aumento na oferta de dólares indica tendência de queda de preço.
Operadores notaram que os bancos procuraram aumentar suas posições vendidas no dólar, ou seja, tomar mais recursos em dólar lá fora (ou do mercado interbancário) para vender daqui a alguns dias.
O mercado de dólares também foi influenciado pela rolagem parcial de um eurobônus emitido pela subsidiária brasileira de um banco internacional. Analistas acreditam que cerca de US$ 100 milhões de um eurobônus de US$ 150 milhões que vence na próxima segunda-feira serão rolados. O restante seria completado com dólares já adquiridos pelo banco durante a semana.Ed Ferreira/Agência Estado‘Sinais positivos’O presidente do BC, Armínio Fraga: fatores internos e externos abrirão espaço para queda dos jurosAgência Estado

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