Mercado reage bem a rebaixamento da nota do Brasil
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
Paula Dias<br>Agência Estado 

São Paulo - No dia em que a Fitch Ratings promoveu o rebaixamento da classificação de risco do Brasil, o dólar voltou a cair ante o real, seguindo os mesmos fundamentos das últimas sessões. Bolsas em alta, forte valorização dos preços do petróleo e queda das taxas dos Treasuries voltaram a refletir um ambiente de apetite por risco. Com isso, o dólar terminou o dia cotado a R$ 3,2403 no mercado à vista, com baixa de 0,27%.
A reação ao downgrade da nota de crédito do País (de BB para BB-, com perspectiva estável) foi breve, levando o dólar a operar em terreno positivo por apenas alguns segundos. Ao atingir a máxima de R$ 3,2511 (+0,06%), em resposta à notícia, a cotação atraiu fortes ordens de venda. Nas horas que se seguiram ao anúncio, o dólar ainda encontrou espaço para ampliar o ritmo de baixa, chegando à mínima de R$ 3,2327 (-0,50%).
NOTA
Dias depois de o governo desistir de votar a reforma da Previdência, a agência de classificação de risco Fitch informou nesta sexta-feira, 23, que rebaixou a nota de crédito soberano do Brasil, de BB para BB-. A perspectiva foi alterada de negativa para estável.
O relatório da agência afirma que o rebaixamento reflete "os persistentes e grandes déficits fiscais, um alto e crescente fardo da dívida pública e a falta de legislação sobre reformas que melhorariam o desempenho estrutural das finanças públicas".
A Fitch ressaltou que a decisão do governo de tirar a Previdência da pauta, com a intervenção federal no Rio de Janeiro, representou um "importante revés" e mina a confiança de médio prazo nas finanças públicas e no compromisso político do governo em perseguir o ajuste fiscal.
Para José Carlos Amado, operador de câmbio da Spinelli Corretora, o fato de a Fitch ter definido perspectiva estável no rating acabou sendo bem recebido pelo mercado. "O mercado preferiu não mudar de tendência por enquanto. Se alguma mudança for feita, não será assim tão rapidamente, porque há outras questões que amenizam o rebaixamento. Uma delas é a melhora dos números da economia, um fator que vem dando maior tranquilidade, em contraposição à não aprovação da reforma da Previdência", disse.
"Por enquanto, a forte liquidez internacional fala mais alto, principalmente porque a decisão da Fitch já vinha sendo precificada pouco a pouco. Mas é uma má notícia para o médio e longo prazo, pois aponta para a redução da participação de fundos internacionais no País", disse Bruno Foresti, gerente de câmbio da Ourinvest.
IBOVESPA
O novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil também não afetou negativamente nos ativos da B3. O Ibovespa marcou uma nova máxima histórica, aos 87 mil pontos, nesta sexta-feira. Foi a 8ª sessão seguida de alta na qual o índice à vista encerrou o pregão aos 87.293,24 pontos e valorização de 0;70%. Com isso, termina a semana com ganhos de 3,28%, levando o resultado anual a 14,26%.
"O resultado da inflação, que amplia as possibilidades de uma nova queda da Selic, aliado à queda dos juros futuros pela mudança de regras do governo, pesou muito mais do que o downgrade", afirmou Thiago Figueiredo, gestor da Horus GGR.
O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15) teve alta de 0,38% em fevereiro, abaixo dos 0,39% de janeiro. Foi a segunda menor variação para este mês desde a implantação do Plano Real.
Na sessão, entre as blue chips, as ações da Petrobras subiram 2,58% (ON) e 1,83% (PN) embaladas pela alta do petróleo no mercado internacional. Também Vale ON ganhou 0,90%. No fim da sessão de negócios, os papéis de bancos reverteram a queda e também apontaram ganhos, ajudando o Ibovespa a superar os 87 mil pontos.
JUROS
Os juros futuros de curto prazo fecharam a sessão regular perto dos ajustes anteriores, com viés de queda, enquanto as taxas de médio e longo prazos terminaram em baixa consistente. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 fechou com taxa de 6,570%, ante 6,590% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2020 encerrou a 7,61%, de 7,63%. A taxa do DI para janeiro de 2021 caiu de 8,56% para 8,52% e a do DI para janeiro de 2023, de 9,45% para 9,36%.


