O mercado brasileiro teve ontem mais um dia de otimismo, em que o dólar recuou 1,72%, cotado a R$ 2,453, o nível mais baixo desde 30 de julho. A moeda operou em baixa quase o tempo todo, mesmo nos momentos em que o risco 'país argentino' subia com força, beirando os 3.500 pontos - depois, o indicador reverteu o movimento e fechou em 3.163 pontos, ante 3.340 na sexta-feira.
A expectativa de que o Brasil vai receber um fluxo expressivo de recursos estrangeiros - devido às captações de empresas no exterior - e o bom desempenho da balança comercial empurraram o dólar para baixo, ajudando a manter a distância entre o risco Brasil e o da Argentina.
O índice Ibovespa, principal termômetro da Bolsa paulista, subiu 3,1% e bateu nos 13.336 pontos. Apesar da alta, que foi a segunda consecutiva, a Bolsa ainda não recuperou as perdas no ano. Desde janeiro, o Ibovespa acumula queda de 12,6%. O desempenho no segundo semestre ainda é pior do que o do primeiro. Nos primeiros seis meses deste ano a Bolsa caiu 4,58%, contra uma queda de 8,41% no segundo semestre.
Durante o dia, os indicadores financeiros argentinos tiveram uma boa melhora. O chefe de Derivativos do banco Loyds TSB, Maurício Zanella, diz que as medidas adotadas pela Argentina não devem resolver os problemas do país vizinho, mas tendem a adiar um desfecho mais drástico, como uma desvalorização.
A ruptura do regime de câmbio fixo na Argentina tende a pressionar o câmbio por aqui, entende ele, mas o impacto não deve ser dos mais fortes. ''Não vejo um dólar muito acima de R$ 2,60 mesmo se houver uma devalorização tumultuada por lá.''
O chefe da mesa de câmbio do banco ING Barings, Alexandre Vasarhelyi, destaca a ''boa safra de emissões'' de companhias brasileiras no exterior como um dos principais motivos do recuo das cotações. O mercado espera para breve as entradas dos recursos captados por empresas como Petrobrás (US$ 750 milhões) e AmBev (US$ 500 milhões). Além disso, a notícia de que a balança comercial registrou um superávit comercial de US$ 228 milhões em novembro confirmou mais uma vez a expectativa de melhora das contas externas, afirma.
O C-Bond, o principal título da dívida externa brasileira, subiu 3,25%, cotado a 75,375 centavos de dólar, contribuindo para a queda do risco país, que recuou de 980 para 949 pontos.
Na BM&F, a onda de otimismo fez as projeções de juros futuros caírem novamente. Na semana passada, as declarações de diretores e presidente do BC brasileiro haviam feito os juros futuros subirem.
Ontem, os contratos de janeiro projetavam taxa de 19,21%, contra 19,31% projetados na sexta-feira passada.

mockup