São Paulo Se havia dúvidas sobre o descolamento entre Brasil e Argentina, ontem ficou comprovado que os investidores observam o país vizinho, mas nem de longe se deixam pautar por sua crise. No primeiro dia completamente útil depois da decretação da moratória da dívida externa e do anúncio de uma terceira moeda, o ''argentino'', o dólar comercial fechou em queda de 0,43%, cotado a R$ 2,325.
Um fator importante para a retomada da queda do dólar foi o comportamento da balança comercial na terceira semana do mês. Houve superávit de US$ 410 milhões, fruto de exportações de US$ 1,349 bilhão e importações de US$ 939 milhões. Com esse resultado, a balança já acumula saldo positivo de US$ 2,325 bilhões neste ano.(leia mais na página 2).
Em tempo: o Banco Central fez ontem a última venda diária de cerca de US$ 50 milhões deste ano. O BC anunciou o início das intervenções em 5 de julho, em consequência do aumento da pressão sobre o dólar provocado pelo início da crise argentina e o racionamento de energia no Brasil. O BC então informou que dispunha de US$ 6 bilhões para venda até o fim do ano.
No primeiro dia de funcionamento pleno do mercado brasileiro, após o Natal e a renúncia de Fernando de la Rúa à presidência argentina, tudo correu tranquilamente. A bolsa ficou quase estável, o dólar e os juros futuros caíram. Nem a renúncia nem a moratória da dívida externa argentina foram surpresa. Além de tudo, aparentemente o governo quis evitar o risco de uma desvalorização abrupta do peso, preferindo optar pela criação de uma terceira moeda, não conversível, que deverá fazer a transição para um novo regime cambial. A comparação com a URV brasileira foi inevitável.
Nem todos os detalhes sobre a criação da nova moeda foram divulgados. Mas sabe-se que ela deverá circular já em janeiro e que saques bancários em ''argentinos'' (o nome provisório da nova moeda) serão liberados. Estas primeiras informações mostram que governo argentino pode seguir o rumo previsto por alguns analistas, entre eles o professor de economia da FGV Paulo Nogueira Batista Junior, que, já na segunda-feira, dizia que o sucesso da medida dependeria de como ela seria conduzida. A nova moeda teria de ser não conversível, flutuante e não ter sua emissão amarrada às reservas internacionais.
A Bovespa passou o dia com pouco volume e sem tendência definida. A semana atípica, de apenas três dias úteis antes do feriado do ano-novo, prejudicou a liquidez dos negócios. O índice da carteira teórica paulista oscilou da mínima de -0,93% à máxima de +0,58%, para fechar em ligeira queda de 0,07%. O giro financeiro somou apenas R$ 432 milhões.

mockup