O dólar comercial disparou ontem no mercado brasileiro. Segundo analistas, a alta foi sustentada pela apreensão do mercado com a rejeição na Argentina do pacote de corte de gastos anunciado pelo ministro da Economia, Ricardo López Murphy, na sexta-feira à noite. Analistas afirmaram que a situação argentina é muito grave, porque a população está contra o pacote do governo e isso cria um ambiente de instabilidade política e econômica. O mercado não descarta a possibilidade de a Argentina vir a pedir moratória ou promover uma pdesvalorização da moeda.
Nesse cenário, o dólar comercial chegou a ser cotado a até R$ 2,17, o nível mais alto de todo o Plano Real – recorde em sete anos. Mas a moeda ‘‘derreteu’’ ao longo do dia e fechou a R$ 2,113, com queda de 0,84%. Isso porque o Banco Central anunciou a emissão de 60 milhões de títulos cambiais e e realizou dois leilões de venda de papel cambial com vencimento em setembro. A próxima entrada do BC no mercado acontecerá hoje, entre 12 e 13 horas, quando fará outro leilão de venda de mais 2 milhões de NBC-E.
Também há grande expectativa no mercado em relação à reunião de hoje do Comitê de Mercado Aberto do Fed, que decidirá por eventual corte no juro dos EUA, que está em 5,5% ao ano.
Os juros acompanharam o dólar no movimento de alta, mas não tanto no movimento de recuo, após os leilões de títulos cambiais promovidos pelo Banco Central. As taxas recuaram de seus níveis máximos atingidos pela manhã, fechando, no entanto, muito elevadas em relação à sexta-feira passada. Na BM&F, o contrato de DI para outubro, o mais negociado, encerrou o dia com taxa superior à do contrato de um ano (18,30%, ante 18,12% do DI a termo de um ano), depois de ter atingido 19,12% de máxima. Isso mostra que os receios do mercado estão bem concentrados no curto prazo.
Já o mercado acionário brasileiro não se sensibilizou com a iniciativa do Banco Central de emitir títulos cambiais e nem com a realização de dois leilões destes papéis. Tampouco foi contagiado pela forte alta da Nasdaq (3,19%) e do índice Dow Jones (1,38%). Os investidores em bolsas se concentraram na grave crise argentina e nos rumores de iminente mudança do regime cambial no país vizinho. Por isso, o Ibovespa fechou em queda de 2,63% e o índice futuro caiu 1,83%. O volume financeiro no mercado à vista somou R$ 468 milhões.
Enfim, a Argentina roubou momentaneamente o foco do mercado, que é a desaceleração da economia norte-americana e a recessão no Japão. Mas este foco voltará à tona hoje, quando o Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve se reúne e decide a magnitude de queda dos juros nos Estados Unidos. A decisão sairá às 16h15.

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