Mercado reabre de olho na Argentina
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2001
Agência Estado 
São Paulo A tese de que o risco Brasil descolou de vez da Argentina terá hoje um teste importante, na retomada dos negócios depois do feriado de Natal. O comportamento do mercado na segunda-feira não é um parâmetro confiável, porque houve pouquíssimos negócios no câmbio e as bolsas não abriram.
A expectativa da maior parte dos analistas é de que o calote do país vizinho não terá um grande impacto sobre o mercado brasileiro. O especialista em câmbio Nathan Blanche, sócio da Tendências Consultoria Integrada, lembra que a moratória da Argentina não surpreendeu ninguém. Os preços dos ativos já estariam embutindo o risco de um calote argentino.
O câmbio, por exemplo, não deve ficar pressionado por causa da piora da crise do país vizinho, afirma. Blanche ressalta que a oferta de dólares no mercado é muito expressiva.
Outro evento de destaque nesta semana é a divulgação, sexta-feira, da ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Na breve nota publicada imediatamente depois do encontro, realizado na semana passada, a instituição deu a entender que só não baixou os juros por causa de incertezas no cenário externo para os analistas, uma referência indireta, mas clara, à Argentina.
Nas últimas semanas, surgiram várias notícias que terão um efeito positivo sobre a inflação, como o tombo do dólar, a expectativa de queda dos preços dos combustíveis em 2002 e a perspectiva de reajuste das tarifas de energia abaixo do esperado no ano que vem. Dependendo do teor da ata, o mercado poderá passar a apostar com mais força num corte da taxa Selic, hoje em 19% ao ano, no curto prazo.


