São Paulo - Convencidos de que as medidas adotadas até agora pelo governo Lula na tentativa de conter a valorização do real frente ao dólar foram insuficientes, analistas apostam no anúncio de novas propostas ainda em 2010 Admitem que serão paliativas, com efeito de curto prazo, mas necessárias para evitar a continuidade da valorização As sugestões são de retomada dos leilões de swap cambial reverso, uma nova elevação do IOF e queda de juros, sendo essa a medida com maior chance, segundo eles, de resolver o problema Os leilões de swap cambial reverso não são realizados pelo Banco Central desde maio do ano passado A operação é um instrumento de compra de moeda no mercado futuro de maneira a evitar a pressão no presente
O dólar à vista fechou ontem a R$ 1,740 (+0,99%), o nível mais alto desde 1º de setembro deste ano Em novembro, a moeda acumula valorização de 2,23% e no ano, recuo de 0,17%
Para o gerente da mesa de operações do Banco Confidence, Felipe Pellegrini, a volta dos leilões teriam efeito apenas pontual Na avaliação dele, uma taxação maior do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos investimentos externos em ações poderia ser uma alternativa com resultado no longo prazo ''Mas a queda da taxa de juros seria a principal delas'', afirma Pellegrini disse esperar medidas de caráter duradouro apenas no próximo ano, quando a presidente eleita Dilma Rousseff assumir ''Taxação maior de IOF e corte nos juros teriam um efeito de longo prazo ''
A taxa de juros, segundo o sócio diretor da Financial Global Advisor, Miguel Daoud, não resulta da vontade do governo ou do Banco Central ''Ela reflete as nossas deficiências e antes de reduzir juros é preciso fazer um ajuste fiscal forte e reduzir a relação dívida/PIB para algo em torno de 20%'', afirma Mas Daoud acredita que novas medidas já estão prontas Para ele, o BC deverá retomar em breve os leilões de swap reverso e aumento da tributação sobre investimentos na bolsa e renda fixa
Na avaliação do economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, o problema é mais complexo De acordo com ele, o que está acontecendo no mundo hoje é a exportação da deflação das economias centrais Neste caso, a sugestão dele é que o governo amplie a política do crédito tributário - direito legal que os exportadores têm de não pagar impostos - e a desoneração da folha de pagamento para exportadores
Segundo Souza Leal, se o governo aumentasse o IOF para 12%, mas os Estados Unidos emitissem mais moeda, o dólar continuará a se desvalorizar ''E vamos continuar como cachorro correndo atrás do próprio rabo'', diz ''Temos que entender que o Brasil é um país periférico e que pega as rebarbas das economias desenvolvidas Acho que temos, sim, de fazer intervenções, mas não é no câmbio porque isso cria distorções, principalmente, de gerenciamento da dívida'', afirma Leal

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