Arquivo FolhaMaria Ângela, da ÂncoraO mercado publicitário está superaquecido em Londrina com a mudança da estação, comercialização da safra e realização da 37ª Feira Agropecuária e Industrial - aberta ontem no Parque Ney Braga. Os preços do setor também foram realinhados ao longo de 96 e hoje apresentam quedas de até 25%. É o que mostra a tabela do Sindicato das Agências de Propaganda do Estado do Paraná, com sede em Curitiba. Os novos investimentos em tecnologia (basicamente informática) representam um outro fator determinante para a alta do setor.
Maria Angela Ferraz, da Âncora Publicidade, fala que, no seu caso, janeiro de 97 já foi melhor que o de 96. ‘‘Senti um acréscimo de 22% no volume de negócios, menos mal; janeiro de 96 foi terrível’’. Maria Angela diz que o setor reagiu bem depois do Carnaval e agora trabalha em ritmo de exposição e em sintonia com o outono.
Quem expõe, precisa de material de apoio, material de divulgação. É a regra básica para aparecer em qualquer mercado. Maria Angela explica que muitas das empresas expositoras trazem esse material de fora, muitas outras, porém, contratam aqui os serviços. ‘‘Caso dos tradicionais agropecuaristas, ou associações de classe enraizadas, que sempre investiram em Londrina’’. Quem não expõe, também explora o momento em que a cidade recebe uma superpopulação.
E uma outra estação exige, normalmente, uma outra campanha publicitária. Especialmente no caso de Londrina, onde o pequeno varejo é a grande vedete da publicidade. ‘‘Mesmo no seu ritmo de sobe-e-desce, o varejo sempre se adapta; muda a estação, muda a moda, o comportamento’’, observa a publicitária. Para as confecções, por exemplo, o outono já abre a temporada de vendas de produtos do inverno.
Arquivo FolhaValduir Pagani, da Engenho
Valduir Pagani, da Engenho, fala que a comercialização da safra é o elemento principal - ‘‘que já influencia muito o setor e cria uma boa expectativa em Londrina. Por conta da colheita, recorde, por sinal, ele diz que as pessoas já vão planejando o retorno, ou investimentos, consumo. As revendas de veículos, por exemplo, que sempre apostaram muito em publicidade, sabem que vão faturar com a alta do preço do milho, do boi e da soja. Construção civil, também. Eletroeletrônicos, idem. E todos eles normalmente chegam até o consumidor através de peças publicitárias.
Presidente do Sindicato das Agências de Propaganda do Estado do Paraná, Hiram de Souza vê ‘‘meia dúzia’’ de associados ‘‘maduros’’ em Londrina, participando de um processo que ele chama de ‘‘reversão do quadro atual’’. Souza explica que houve uma evasão de contas publicitárias do interior (Londrina, inclusive) para São Paulo e que agora a tendência é outra.
‘‘Assim como aconteceu nos Estados Unidos, onde a publicidade ficava concentrada em New York e Chicago, teremos no Brasil, nos próximos anos, a inversão do processo: o interior vai se fortalecer, em função, principalmente, da qualidade de vida e da chegada de novas empresas’’ - afirma.

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