Nas pesquisas, o mercado é promissor. O setor de telecomunicações, por exemplo, estuda novas aplicações para a fibra ótica, cabendo ao físico a tarefa de desenvolver componentes para a transmissão de dados, voz e imagem. Novas áreas também estão se abrindo, por exemplo, nos consultórios de dentistas com o uso do laser e na medicina, com o uso da radiação.
No Brasil, em geral as pesquisas são feitas no ambiente universitário. É o que faz o professor Hummelgen, pesquisador de dispositivos eletroorgânicos na UFPR, que estuda aplicação de material eletroorgânico, que é mais barato, em substituição à eletrônica de silício em nichos específicos, como em brinquedos, por exemplo. ''Sempre gostei de construir coisas, de entender como as coisas funcionam. Daí decidi fazer Física'', conta. O problema, diz, é que hoje ele quase não tem mais tempo para dedicar-se à pesquisa, pois a maior parte do tempo tem que dedicar-se a avaliar os trabalhos e pesquisas dos alunos.
Um centro de pesquisa que merece ser lembrado é a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), empresa que emprega vários físicos no desenvolvimento de inovações para o agronegócio. ''O físico profissional pode contribuir em várias áreas, como na agricultura, em biotecnologia associada ao desenvolvimento de novos combustíveis, em nanotecnologia aplicada às ciências dos solos e na utilização de recursos de comunicação direta para fazer agricultura de precisão'', declarou recentemente o ex-presidente da Embrapa, o físico Silvio Crestana.
Outra vertente de trabalho está nas indústrias, que começam a perceber a importância de investir em laboratórios de pesquisa aqui no Brasil, ao invés de trazer tecnologia de suas matrizes do exterior, que saí mais caro. Outro fator é que várias empresas de tecnologia têm surgido no Brasil, graças ao apoio de instituições como Finep, Capes e CNPq à iniciativa privada.
O físico Antonio Morgon tem uma trajetória diferente. Depois de dar aulas durante 15 anos, ele decidiu investir em uma empresa própria, a Lasermorgotron, em Curitiba, que faz projetos e fabrica tubos de raio laser para cortes de materiais. ''Eu mexia com laser desde os 17 anos, daí decidi entrar no mercado com um projeto que criei e é único no planeta'', conta ele, que hoje vende seus projetos para indústrias. ''Valeu a pena, mas é um desafio'', diz ele, ressaltando que a maior dificuldade foi obter recursos para desenvolver suas idéias. (M.G.)

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