Pesquisa realizada com 22 instituições financeiras mostra que as apostas para a TBC de abril se formaram em torno de um intervalo entre 25% e 22%. No entanto, mais da metade dos bancos entrevistados fechou suas projeções em 24%, levando em consideração principalmente uma tendência ao conservadorismo do Comitê de Política Monetária (Copom). Três instituições apostam numa TBC de 25% para o próximo mês, enquanto uma prevê redução para 24,5%, quatro para 23% e duas para 22%.
Segundo o economista-chefe do Santander, Dany Rappaport, o Banco Central tem motivos de sobra para promover um corte mais ousado nos juros na reunião marcada para o dia 15 de abril. ‘‘O nível de reservas está acima do esperado e já é hora de começar a injetar algum ânimo na economia’’, afirma. ‘‘Mas o governo deve optar por um movimento mais conservador, para não correr o risco de causar receios no mercado e acabar se assustando depois.’’
O economista Cássio Schmitt, do Unibanco, acredita que o Copom não fará uma redução mais agressiva agora da TBC porque os fundamentos do País ainda não estão consolidados. ‘‘Além disso, se fizer uma queda forte agora, não sobrará nada para depois’’, acrescenta.
‘‘Na reunião de abril será definido o último grande degrau da trajetória declinante da TBC’’, afirma a economista Ana Cristina Costa, do BCN Alliance. ‘‘Depois disso, as discussões se voltarão para a definição do piso dos juros, levando em conta principalmente a atratividade do cupom cambial.’’
Estudo elaborado pelo Chase Manhattan aponta o patamar de 22% como piso ideal para a TBC em 1998. Considerando que as desvalorizações mensais de 0,6% do real serão mantidas, a instituição acredita que uma redução maior dos juros tornaria o cupom cambial pouco atrativo para o investidor estrangeiro.
Para defender sua tese de que a política cambial não será alterada, o que impediria um declínio maior dos juros, o economista-chefe do Chase, Nilson Teixeira, montou dois cenários alternativos para a política de desvalorização da moeda: um de 0,5% e outro de 0,8% ao mês.
O principal argumento de defesa para uma hipotética redução do ritmo de desvalorizações cambiais para meio por cento ao mês, segundo Teixeira, seria um eventual declínio da inflação brasileira frente à dos Estados Unidos, que se manteria constante. ‘‘Só que o custo dessa medida é alto, o que torna difícil acreditar que o governo partiria para uma estratégia dessas’’, afirma.
Nessa situação, tomando como referência os melhores resultados oferecidos em 1997 pelos spreads do IDU, pelos contratos futuros de títulos e pelas expectativas de risco do regime cambial, o Chase concluiu que os juros seriam reduzidos para um piso no máximo de 20,2%. ‘‘Por outro lado, considerando os valores médios dessas variáveis antes da crise, o piso da taxa de juros subiria para 22,7%’’, estima Teixeira.
Até o dia 16 de março, as expectativas do mercado em relação aos juros giravam em torno dos 24% anuais, preservando o espaço de queda da taxa. ‘‘Em outras palavras, o Banco Central tem condições de reduzir a TBC sem causar nenhum tipo de realocação significativa de ativos’’, explica o economista do Chase.
O segundo cenário proposto por Teixeira considera uma desvalorização mensal de 0,8%. Nesse caso, afirma, o BC não poderia reduzir os juros para um nível inferior a 26,3%. ‘‘Isso se considerarmos que o melhor que podemos esperar do desempenho dos spreads dos IDUs em relação aos títulos do Tesouro americano seriam os valores médios atingidos no ano passado’’, aponta.

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