Brasília - Após o IPCA de janeiro vir acima do teto do intervalo das estimativas, o mercado financeiro promoveu nova revisão de alta de suas projeções para a inflação no Relatório de Mercado Focus, divulgado ontem pelo Banco Central. Conforme economistas consultados pela reportagem, nem toda a correção com a surpresa do índice oficial de preços deve estar no levantamento conhecido ontem, já que houve data crítica na quinta-feira da semana passada, quando os analistas costumam aprimorar seus cálculos, e o IPCA foi divulgado na sexta-feira, dia 5, véspera do feriado prolongado de carnaval.

Para 2016, a taxa esperada subiu 0,30 ponto porcentual de uma semana para a outra, passando de 7,26% para 7,56% e distanciando-se ainda mais do teto da meta de inflação deste ano de 6,50%. Quatro semanas atrás, estava em 6,93%. Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do índice no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das expectativas passou de 7,79% para 8,13% - um mês antes, estava em 7,49%.

No caso de 2017, a mediana avançou de 5,80% para 6,00% e ante 5,20% de quatro edições atrás do levantamento. Com esse movimento, a previsão do mercado atingiu o teto de 6,00% da meta do ano que vem. Essa barreira, no entanto, já foi ultrapassada em muito pelo grupo Top 5 de médio prazo. Desta vez, porém o ajuste foi baixista, de 7,19% para 6,40 %. Um mês antes, essas instituições apontavam para um IPCA de 5,50%.

De acordo com o último Relatório Trimestral de Inflação, divulgado em dezembro, o BC projeta que a inflação encerre este ano em 6,2% no cenário de referência e em 6,3% pelo de mercado. Para 2017, a estimativa da autoridade monetária está em 4,8% pelo cenário de referência e é de 4,9% pelo de mercado.

PIB
Pioraram as projeções do mercado financeiro para o PIB para este ano e para 2017, que mostram uma expectativa de recuperação ainda menor. A mediana das estimativas no Relatório de Mercado Focus foi ajustada de -3,01% para -3,21% para 2016 - há quatro semanas, a aposta era de uma queda menor, de 2,99%.
Já para 2017, a expectativa é mais otimista, de expansão de 0,60%. Vale lembrar, no entanto, que uma semana antes, a mediana estava em alta de 0,70% e, um mês atrás, de 0,86%. As mudanças na Focus se intensificaram depois que o FMI apresentou fortes mudanças para baixo para a atividade no País.

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