O aumento das incertezas no cenário econômico elevará a média do prêmio de risco-Brasil (percepção que os investidores têm sobre o país) no terceiro trimestre de 2001 para os níveis que vigoravam na véspera da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, ‘‘com reduções subsequentes nos trimestres seguintes estabilizando-se no patamar de 600 pontos’’.
A informação consta na ata da reunião do Copom divulgada ontem . Ainda de acordo com a ata, a desvalorização cambial verificada desde o início do ano pode ser atribuída aos diversos choques externos e internos e ‘‘à percepção de piora no balanço de pagamentos’’.
O adiamento para a próxima terça-feira da votação pelo Senado argentino do projeto de lei de déficit zero praticamente manteve o mercado de câmbio brasileiro de molho ontem. O comportamento atípico também foi atribuído à informação de que poderá demorar até setembro ou outubro o fechamento de um novo entendimento entre o governo brasileiro e o FMI. Como a maioria dos investidores no País está hedgeado (protegido contra variação cambial) e a cotação atual da moeda norte-americana já estaria precificando essas indefinições, as cotações oscilaram menos e fecharam com ligeira queda de 0,32%, a R$ 2,48.
O risco país da Argentina disparou para 1.541 pontos base, ante 1.403 pontos base do dia anterior. O risco Brasil acompanhou e subiu para 947 pontos base, ante 916 pontos base do encerramento de anteontem.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 0,93%, entre a mínima de R$ 2,4750(-0,52%) e a máxima de R$ 2,4980 (+0,40%).
O mercado acionário operou sob a pressão de duas frustrações e acabou seguindo, outra vez, a Bolsa de Buenos Aires. Na capital do país vizinho, a bolsa caiu 2,48%. Aqui, o Ibovespa fechou em baixa de 1,04% e o volume financeiro somou R$ 445 milhões.
EconomistA equipe econômica rebateu ontem as conclusões de um relatório elaborado pela Economist Intelligence Unit (EIU), instituto ligado à revista britânica The Economist, que apontou o Brasil como um dos países com mais chance de não honrar compromissos externos este ano e em 2002. ‘‘No Brasil, a dívida pública é predominantemente interna, enquanto que a dívida externa é primordialmente privada’’, salientam os técnicos do BC. Do total da dívida líquida do setor público, 71,1% é emitida no mercado doméstico – dizem os técnicos brasileiros –, e desta parcela apenas uma fração pequena da dívida interna brasileira está nas mãos de investidores não-residentes. Pelo lado da dívida externa, a maior parte está nas mãos da iniciativa privada brasileira. Por estas razões, a economia brasileira estaria mais sólida do que previu o relatório, argumentam.

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