Brasília - O mercado financeiro tem a firme expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manterá a taxa básica de juros, a Selic, em 16% ao ano na reunião que começa hoje e termina amanhã. Na pesquisa semanal realizada pelo BC com instituições financeiras e empresas de consultoria, as apostas de curto prazo estão todas na direção da manutenção dos juros neste mês e em agosto. A posição de cautela dos analistas está respaldada nas projeções de inflação, que mantiveram a tendência de alta verificada nas últimas semanas.
Para o final do ano, as instituições acreditam que a Selic poderá recuar para 15,25%, o que embute uma expectativa de corte de apenas 0,75 ponto porcentual entre as reuniões do Copom de setembro e dezembro. Para 2005, a expectativa é um pouco mais pessimista em relação ao levantamento anterior. A projeção média indica que as instituições apostam que a Selic fechará o próximo ano em 14%, e não mais em 13,75%.
Apesar da expectativa de queda mais lenta dos juros, o mercado passou a trabalhar com uma estimativa mais elevada para o crescimento da economia. Os analistas acreditam que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá neste ano não mais 3,52%, como estimado na semana passada, mas 3,57%. Para 2005, a estimativa foi mantida em 3,5%. O mercado também melhorou a projeção para a balança comercial. A expectativa de superávit deste ano foi elevada em US$ 1 bilhão, passando para US$ 29 bilhões. Para 2005, o saldo projetado é de US$ 25 bilhões.
No que se refere à inflação, mesmo projetando variações mais baixas para o curto prazo, as instituições elevaram mais uma vez suas estimativas de longo prazo, ainda que em proporção moderada. Para este mês, as instituições reduziram de 0,95% para 0,92% a projeção média da variação do IPCA, índice utilizado pelo BC no sistema de metas de inflação. Para agosto, a queda foi menor, com a estimativa passando de 0,59% para 0,58%.
Mas no longo prazo o movimento foi contrário. Para os próximos 12 meses, por exemplo, as instituições apostam que o IPCA acumulará alta de 6,27%, acima dos 6,26% registrados no levantamento anterior. Para 2004, a projeção subiu de 7,05% para 7,08%. Para 2005, a expectativa foi mantida em 5,5%.

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