Brasília - As instituições ouvidas na pesquisa feita semanalmente pelo Banco Central (BC) no mercado financeiro elevaram de US$ 400 milhões para US$ 1,2 bilhão a projeção de superávit em conta corrente (balança comercial mais serviços) do balanço de pagamentos em 2004. Esse aumento expressivo, no entanto, não ocorreu com a mesma intensidade na estimativa de superávit da balança comercial, que avançou de US$ 24 bilhões para US$ 24,24 bilhões.
As novas estimativas do mercado estão em descompasso com as projeções do governo. O BC trabalha com a expectativa de superávit de US$ 24 bilhões na balança comercial e de apenas US$ 200 milhões nas contas correntes. Analistas de mercado, no entanto, acreditam que o superávit em conta corrente possa ficar, neste ano, entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões. Para isso, o superávit da balança comercial deveria chegar à marca dos US$ 29 bilhões a US$ 30 bilhões.
Esse cenário se tornaria possível, na visão destes analistas, em função dos altos preços das commodities nos mercados internacionais. ''A evolução dos preços das commodities incomoda pelo lado da inflação, mas traz boas notícias nas contas externas'', disse um analista consultado pela Agência Estado. O próprio BC, ao elevar no mês passado sua estimativa de superávit da balança comercial de US$ 20 bilhões para US$ 24 bilhões neste ano, destacou o efeito positivo do aumento nas cotações das commodities.
Para 2005, a previsão do mercado para o resultado em conta corrente do balanço de pagamento é de um déficit de US$ 2,10 bilhões. Mesmo assim, houve melhora em relação à projeção de saldo negativo de US$ 2,5 bilhões que se fazia na semana anterior. Além disso, apesar de deficitário, o resultado da conta corrente, na visão de fontes do BC, seria perfeitamente compensado pelo fluxo de investimento direto e outras fontes de captação de recursos no exterior.
A pesquisa divulgada ontem detectou ainda um aumento na estimativa do mercado para os investimentos estrangeiros diretos (IED) neste ano. A projeção passou de US$ 12,95 bilhões para US$ 13 bilhões, chegando ao mesmo valor usado pelo BC nas suas previsões para o comportamento das contas externas em 2004. Em 2003, o Brasil recebeu US$ 10,1 bilhões em investimentos diretos do exterior. Para 2005, os bancos ouvidos na pesquisa mantiveram a estimativa de US$ 15 bilhões.
O levantamento não mostrou mudança nas expectativas do mercado para o crescimento da economia neste ano. A aposta continua centrada numa expansão de 3,5% para o Produto Interno Bruto (PIB), mesmo porcentual projetado pelo BC. Para 2005, as instituições financeiras estimam uma taxa de 3,7%.

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