Pela primeira vez no Relatório de Mercado Focus, divulgado pelo Banco Central ontem, a mediana das projeções do mercado financeiro para a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 ficou em 0%. Na semana passada, a previsão era de um crescimento de 0,03%. Esta foi a sexta revisão seguida para baixo desse indicador. Há quatro semanas, a aposta era de uma alta de 0,40% este ano.
Para 2016, a expectativa é um pouco mais otimista. A previsão de alta de 1,50% foi mantida. Quatro semanas atrás, a mediana das projeções de crescimento do PIB no ano que vem era de 1,80%.
Para o professor do curso de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Másimo Della Justina, a previsão de estagnação para o PIB deste ano é resultado de um exercício de irresponsabilidade econômica de não ter corrigido as falhas da política econômica nacional em anos anteriores. "O governo facilitou muito o crédito e agora colhe a inflação", destacou. Segundo ele, o País está em um quadro de "estagflação" que significa um cenário de estagnação do crescimento com inflação subindo ao mesmo tempo. E não descarta a possibilidade do PIB de 2015 fechar negativo.
Justina acredita que também contribuiu para o cenário econômico atual os problemas estruturais que envolvem educação, falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento e em inovação e poucos investimentos em logística. Ele destacou que são necessárias a desoneração da produção, as reformas tributária e administrativa e a redução dos gastos públicos nas esferas federal, estadual e municipal.
O economista e professor da FAE Centro Universitário, Gilmar Mendes Lourenço, disse que a previsão do relatório Focus para o PIB ainda está muito otimista. "A julgar pelos indicadores da indústria e do comércio, tudo caminha para fechar o ano com uma taxa negativa", disse. Segundo ele, o País vive um cenário de recessão que será intensificada com o pacote fiscal e monetário que o governo federal vem adotando.
Ele prevê uma queda entre 0,5% e 1% para o PIB neste ano. No entanto, ressalta que tudo vai depender do efeito das medidas adotadas pelo governo, do corte de gastos públicos, do aumento de impostos e do impacto da inflação sobre o bolso dos consumidores. Ele acredita que o PIB do Paraná também deve acompanhar o nacional, talvez em uma intensidade um pouco menor em função dos resultados da agricultura.
Lourenço destacou que a política econômica do governo é recessiva e retira recursos do setor produtivo e das famílias com aumento de tributos, o que compromete o consumo e os investimentos. "Não tem nenhum país no mundo que resolveu problemas das finanças exclusivamente aumentando impostos", criticou. Ele lembrou que a carga tributária em 1996 era de 26,74% do PIB e, em 2013, chegou a 35,95%.
Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), a taxa oficial de inflação do País, a previsão do Focus é de 7,15% para este ano contra os 7% divulgados há uma semana. Foi mantida a previsão de que em 2016 a inflação cairá para 5,6% e voltará para baixo do teto legal de 6,5%.
A previsão também é que o real continue a se desvalorizar em relação ao dólar e a taxa de câmbio chegue a R$ 2,80 até o final do ano. E a taxa Selic (taxa básica de juros) deve ser de 12,50% no final do ano, mesmo valor esperado há uma semana. Atualmente, a Selic está em 12,25%. (Com agências)

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