Mercado prevê PIB menor e inflação em alta
De acordo com o último Boletim Focus, o Brasil vai crescer 1,49% neste ano e o IPCA ficará em 4,04
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de maio de 2019
De acordo com o último Boletim Focus, o Brasil vai crescer 1,49% neste ano e o IPCA ficará em 4,04
Nelson Bortolin - Grupo Folha 

São Paulo - Apesar de prever um crescimento da economia cada vez menor para 2019, o mercado projeta aumento da inflação. A estimativa para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) caiu de 1,70% para 1,49%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (6). É a 10ª redução estimada para o crescimento econômico. Para 2020, a projeção foi mantida em 2,50%, assim como para 2021 e 2022.
A estimativa de inflação, calculada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), subiu de 4,01% para 4,04% para este ano – ainda abaixo do centro da meta. Há quatro semanas, os analistas de mercado previam 3,9% de inflação. Para 2020, a previsão segue em 4%. Para 2021 e 2022, também não houve alteração: 3,75%.
Economistas entrevistados pela FOLHA dizem que a distorção entre estimativa de crescimento em baixa e de inflação em alta é pontual e não se trata de estagflação – processo de estagnação econômica com preços subindo. “Para termos uma estagflação, teria de ser um período mais prolongado, alguns trimestres seguidos”, diz o economista e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), José Guilherme Vieira.
“É uma situação momentânea causada pelos preços dos alimentos”, diz o economista e consultor em Curitiba, Cid Cordeiro. Quebras de algumas safras teriam levado ao aumento dos preços. Além disso, segundo ele, a inflação acumulada em 12 meses ainda carrega influência da greve dos caminhoneiros (realizada em maio do ano passado).
O presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes da Silva, lembra que, além dos alimentos, os combustíveis são responsáveis pela alta de preços. “Estamos tendo uma pressão muito forte sobre os preços do petróleo, que é insumo para quase todos os produtos. Além disso, não tem sido um ano tão bom para a agricultura”, justifica.
Para Adilson Volpi, economista e professor aposentado do UFPR, há uma outra hipótese que explica os dados do boletim Focus. “O mercado pode estar antevendo que haverá uma queda na produção sem contrapartida proporcional na queda do emprego e renda. Se a produção cai e a demanda fica no mesmo nível, pode haver mais concorrência pelos mesmos produtos”, alega.
Para Cid Cordeiro, o risco é o Copom (Comitê de Política Monetária) não querer reduzir juros devido ao aumento da inflação previsto pelo mercado. Na visão dele, a atual situação da economia do País requer uma queda maior na taxa Selic, que hoje está em 6,5% ao ano.
Mas os analistas do Boletim Focus estimam que ela ficará neste patamar durante todo o ano. E, ao contrário do que prega Cordeiro, vai subir para 7,5% e 8,5% no início e no final do próximo ano, respectivamente.
REFERÊNCIA
A Selic, que serve de referência para os demais juros da economia, é a taxa média cobrada nas negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas diariamente no Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia).
A manutenção da Selic este ano, como prevê o mercado financeiro, indica que o Copom considera as alterações anteriores nos juros básicos suficientes para chegar à meta de inflação.
Ao reduzir os juros básicos, a tendência é diminuir os custos do crédito e incentivar a produção e o consumo.
Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de ficar acima da meta de inflação.
Quando o Copom aumenta a Selic, a meta é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
O Copom se reúne nesta terça-feira e na quarta-feira (8) quando define se altera ou não a taxa de juros (Com informações da Agência Brasil).


