Brasília - Os sinais de alta da inflação não foram suficientes para levar os bancos ouvidos em pesquisa semanal do Banco Central (BC) a elevar suas projeções de taxa de juros para este mês. De acordo com os números do levantamento divulgado ontem, as previsões para setembro continuaram estacionadas em 16% pela oitava semana consecutiva. A manutenção das previsões veio na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa hoje e se encerra amanhã.
As projeções para outubro, em contrapartida, seguiram tendência diversa e avançaram de 16% para 16,25% ao ano. A alteração, entretanto, indicou uma percepção do mercado de que a alta de juros, se vier, será gradual. Dentro do gradualismo esperado, as previsões de juros para o fim do ano subiram de 16% para 16,50%, indicando uma percepção de que a taxa poderá aumentar mais 0,25 ponto porcentual entre novembro e dezembro. Terminado o ano, os bancos consultados na pesquisa do BC mantiveram a aposta de que os juros cairão 1,5 ponto porcentual ao longo de 2005, chegando a uma taxa nominal de 15% ao ano em dezembro do ano que vem.
Apesar do otimismo em relação ao comportamento dos juros, as projeções do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2005 subiram pela terceira semana consecutiva e passaram de 5,60% para 5,70%. Com o aumento, o porcentual projetado pelo mercado ficou ainda mais distante dos 4,5% do centro da meta de inflação do próximo ano, já fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Para o corrente ano, as estimativas seguiram a mesma tendência de alta e passaram de 7,29% para 7,37%, porcentual ainda mais próximo do teto de 8%. Em contrapartida, as previsões de IPCA para o mês em curso ficaram estáveis em 0,60% e as de outubro continuaram em 0,45% pela sexta semana consecutiva.
Na outra ponta, as estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) subiram pela décima semana consecutiva e passaram dos 4,23% da semana passada para 4,31%. A alta das previsões veio a confirmar a percepção de mercado de que uma alta de juros de 0,50 ponto porcentual até o final do ano não prejudicaria o crescimento econômico. As previsões de aumento da produção industrial contidas na mesma pesquisa subiram, ao mesmo tempo, de 6,34% para 6,50%. As projeções de crescimento do PIB para 2005 também aumentaram e passaram dos 3,50% da semana passada para 3,60%. As estimativas de expansão da produção industrial, em contrapartida, recuaram de 4,10% para 4,05%.

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