Mercado prevê manutenção da Selic
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domingo, 19 de maio de 2002
Agência Folha 
A expectativa de manutenção da taxa básica de juros em 18,50% na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que começa amanhã, cresceu com as declarações do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, na sexta-feira passada. A afirmação de que a demanda é apenas um dos elementos a serem considerados pelo Copom caiu como uma ducha fria no mercado. Todas as variáveis que podem ter impacto sobre a inflação serão ponderadas, segundo Fraga.
Analistas e investidores passam agora a esperar a publicação da ata da reunião, na próxima semana. Afirmam que o documento poderia mostrar a existência de condições para redução da taxa básicas de juros, a Selic, no futuro. É possível que a ata prepare o mercado para um corte em junho. Uma redução agora poderia causar desconforto para o Copom. Ele poderia ser taxado de eleitoreiro. Pelo que se estabeleceu antes, seria um caminho menos técnico, diz Jorge Simino, diretor da Unibanco Asset Management.
Antes da declaração de Fraga, a decisão do Copom relativa aos juros estava sendo considerada um divisor de águas nesta semana. Nos primeiros dias, segundo afirmavam alguns gestores, a Bolsa poderia operar embalada pela expectativa, de parte do mercado, de corte de juros. E, depois da reunião, refletiria seu resultado, se este já não estivesse nos preços.
A perspectiva de que o Banco Central sinalize uma tendência consistente de queda na próxima ata a ser publicada pode ser uma vertente positiva para o mercado depois do Copom, diz Simino.
A decisão do Comitê será anunciada ainda com o mercado aberto, no início da tarde de quarta-feira, e não à noite. O término da reunião foi antecipado em razão de uma viagem do presidente do BC e do diretor de Política Econômica, Ilan Goldfajn, para a Espanha, onde participam de um seminário.
Apesar da valorização da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) de 4,6% na semana passada, a instabilidade permanece. A Bolsa pode vir a beliscar os 13 mil pontos, mas não se sustenta nesse patamar, diz Pedro Thomazoni, diretor de tesouraria do Lloyds TSB.


