Mercado prevê leve recuo da inflação
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segunda-feira, 03 de maio de 2004
Gustavo Freire<br> Agência Estado 
Brasília - As instituições financeiras estimam uma inflação um pouco menor nos próximos 12 meses. Ouvidas na pesquisa semanal do Banco Central (BC), bancos e consultorias reduziram suas projeções de Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses de 5,67% para 5,60%. A pesquisa do BC registrou ainda um recuo das previsões de IPCA para abril deste ano de 0,48% para 0,41%. A queda ocorreu na mesma semana em que foi divulgado um IPCA-15 de abril menor do que o esperado pela maioria dos participantes do mercado.
Em contrapartida, as expectativas de IPCA para maio ficaram estáveis em 0,40%, configurando uma tendência de estabilidade da inflação medida por este índice. As projeções de IPCA para 2004 e 2005 também não se alteraram e prosseguiram em 6,17% e 5%, respectivamente. Os dois índices estimados pelo mercado continuaram acima dos centros das metas deste e do próximo ano, de 5,5% e 4,5%, respectivamente.
Ao mesmo tempo em que projetam uma inflação menor, as projeções de juros para o final de 2005 avançaram de 12,75% para 12,88% ao ano. Com a revisão, o espaço de queda dos juros no próximo ano foi reduzido, na visão dos bancos consultados, de 1,25 para 1,12 ponto porcentual. Para o ano em curso, a previsão do mercado é de que as taxas ainda poderão recuar 2 pontos porcentuais e chegarem ao fim de dezembro em 14%. Em maio, as previsões continuaram centradas numa expectativa de redução de 0,25 ponto porcentual, que traria a taxa Selic de 16% para 15,75%.
Apesar da preocupação do mercado com o efeito na economia brasileira do provável aumento dos juros nos Estados Unidos, as previsões de mercado para a taxa de câmbio no final do ano mantiveram-se em R$ 3,05. As expectativas de câmbio para o fim do corrente mês também não se alteraram e permaneceram em R$ 2,92.
O mercado, porém, continua otimista em relação ao desempenho das contas externas. As projeções de superávit em conta corrente neste ano aumentaram de US$ 1,20 bilhão para US$ 1,50 bilhão. Com o aumento, a previsão se distanciou ainda mais da estimativa de superávit de US$ 200 milhões feita pelo próprio BC. As projeções de superávit da balança comercial neste ano ficaram estáveis em US$ 25 bilhões.
Em contrapartida, as expectativas de déficit em conta corrente para o próximo ano subiram de US$ 2,15 bilhões para US$ 2,20 bilhões. As estimativas de superávit da balança comercial para 2005 aumentaram de US$ 21,75 bilhões para US$ 22 bilhões. Por outro lado, as projeções de fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) neste ano recuaram de US$ 13 bilhões para US$ 12,60 bilhões na pesquisa semanal do BC. Com o recuo, as previsões passaram a ficar abaixo da estimativa do próprio BC, de US$ 13 bilhões.


