Mercado prevê inflação de 6,45% para este ano
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O mercado elevou a previsão para a inflação oficial -o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - para este ano e para 2012 e reduziu as estimativas para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da taxa básica de juros, a Selic. As informações são do boletim Focus, divulgado pelo Banco Central ontem.
A estimativa do IPCA para este ano passou de 6,38% na semana passada para 6,45% nesta semana. Para 2012, o percentual subiu de 5,32% na semana passada para 5,40% nesta semana.
O professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro do Corecon-PR, Fábio Dória Scatolin, lembrou que a crise de 2008 não terminou e vem se agravando nos Estados Unidos e na Europa. ''O governo brasileiro reduziu os juros na última reunião do Banco Central (BC) e provocou um ruído no mercado. Este ruído gerou a última previsão de inflação'', disse.
Ele destacou que a inflação deve começar a arrefecer e, no final do ano, deve fechar em cima do teto da meta que é de 6,5%. Para 2012, ele acredita em uma taxa inflacionária de 5%, pouco acima do centro da meta que é de 4,5%. Segundo o professor, os itens que mais têm pressionado a inflação são os alimentos e os serviços.
Scatolin acredita que a inflação deva ter queda neste ano com o desaquecimento da economia mundial e os juros internos que ainda estão altos e pressionam a demanda no País.
Em relação aos juros, a previsão para a Selic teve acentuada redução para 2011, passando de 12,38% na semana passada para 11% nesta semana. Para 2012, foi reduzida de 11,88% na semana passada para 11%. Já a projeção para o crescimento do PIB registrou recuo pela sexta semana consecutiva passando de 3,67%, na semana passada, para 3,56% ontem na previsão para 2011. A expectativa para 2012 foi reduzida de 3,84% para 3,80% (terceira semana de queda).
As reduções das estimativas do PIB e Selic ganharam força após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de 31 de agosto, que surpreendeu o mercado com um corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic, que hoje está em 12%. Outro fator que tem influenciado as estimativas do mercado foi o resultado do PIB no segundo trimestre que, segundo o IBGE cresceu de 0,8%, ante alta de 1,2% no primeiro trimestre.
O boletim Focus é elaborado pelo BC a partir de consultas feitas a uma centena de instituições financeiras. Ele expressa, semanalmente, como o mercado percebe o comportamento da economia.
IPC-C1
Os preços para a baixa renda, mensurados pelo Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), voltaram a subir em agosto depois de dois meses de queda. Em agosto, o índice variou 0,33%, após queda de 0,25% em julho. No ano o indicador acumula alta de 3,73% e, nos últimos 12 meses, 7,30%, segundo os dados divulgados ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Em agosto, o IPC-BR registrou variação de 0,40%. A taxa do indicador nos últimos 12 meses ficou em 7,10%, nível abaixo do registrado pelo IPC-C1. Três dos sete grupos de preços que compõem o indicador apresentaram alta: alimentação (de -0,92% para 0,52%), saúde e cuidados pessoais (0,18% para 0,46%) e habitação (0,29% para 0,43%).
Os outros subgrupos tiveram variação negativa, são eles: vestuário (de 0,52% para -0,66%), educação, leitura e recreação (de 0,11% para 0,01%), despesas diversas (de 0,20% para 0,11%) e transportes (de 0,02% para 0%). O índice é calculado a partir das despesas das famílias com renda mensal entre um e 2,5 salários mínimos.(Folhapress)


