Brasília - O mercado financeiro continua apostando no movimento de elevação do dólar, mas reduziu as estimativas de superavit da balança comercial. A pesquisa Focus, divulgada ontem pelo Banco Central, revisou para cima a projeção para o dólar para o fim de dezembro de 2014, de R$ 2,50 para R$ 2,53. Há um mês, esses analistas projetavam que o câmbio fecharia este ano a R$ 2,40. Para 2015, a cotação subiu de R$ 2,60 para R$ 2,61 de uma semana para outra, mas quatro semanas antes estava em R$ 2,50.
Segundo a Tendências Consultoria, a mudança de patamar nas projeções do câmbio pelo Focus se deve às incertezas a respeito da equipe ministerial e da condução da política econômica no segundo mandato Dilma. Para 2015, além das incertezas domésticas, influenciaram o movimento a alta de juros nos Estados Unidos e a continuidade da tendência de queda nos preços das commodities.
Apesar das previsões de alta do dólar, analistas esperam um deterioração da balança comercial brasileira. A previsão de saldo da balança comercial para este ano voltou a cair drasticamente. A mediana das estimativas passou de US$ 1 bilhão para apenas US$ 400 milhões de uma semana para outra. Duas semanas atrás, a previsão de superavit comercial em 2014 era de US$ 2 bilhões.
Essa percepção de piora da balança comercial foi reforçada com a divulgação também ontem dos dados do comércio exterior da semana passada, cujo saldo ficou negativo em US$ 804 milhões. Segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), no acumulado do mês de novembro, o deficit soma US$ 1,551 bilhão, o que elevou o saldo negativo no ano para US$ 3,422 bilhões.

Determinante


O resultado de novembro é considerado pelo governo determinante para o resultado da balança comercial esse ano. Se o mês fechar deficitário, dificilmente a balança registrará um superavit em 2014, o que deve levar o mercado a rever para baixo, novamente, suas projeções. Para 2015, o superavit projetado pelos analistas de mercado também voltou a diminuir, com a mediana saindo de US$ 7 bilhões na semana passada para US$ 6,50 bilhões agora. Um mês atrás, a projeção era de um superavit de US$ 7,65 bilhões.

Inflação


A pesquisa do BC também trouxe ligeira revisão de alta para a inflação, depois de, na semana passada, ter ajustado as projeções para baixo. De acordo com o documento, a mediana das estimativas para o IPCA de 2014 passou de 6,39% para 6,40%. No grupo dos economistas que mais acertam as projeções, chamado de Top 5, a previsão para o IPCA para 2014 foi ampliada, de 6,34% para 6,50%. Portanto, no limite da meta de inflação. Para 2015, no entanto, esse mesmo grupo reduziu a mediana das estimativas, que passou de 6,74% para 6,50%.
As previsões para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2014 tiveram uma leve melhora no relatório Focus, passando de 0,20% para 0,21%. Os economistas também continuam a acreditar em alguma retomada da atividade no ano que vem e mantiveram a taxa mediana em 0,80%. No entanto, estão menos otimistas que quatro semanas antes, quando estimavam um crescimento da economia para o próximo ano de 1%.
A indústria, no entanto, deve ter uma retração esse ano. A mediana das expectativas do mercado passou de uma queda de 2,21% para um recuo de 2,30%. Para 2015, é esperada uma recuperação, mas os analistas já esperam que seja mais branda. O crescimento da produção industrial foi reduzido de 1,46% - mesmo patamar de quatro semanas atrás - para 1,31% no levantamento divulgado ontem.

mockup