Mercado prevê aumento de consumo energético
Além de todos esses fatores, deve ser considerado o aumento do consumo mundial de combustível e o próprio crescimento da economia mundial, que contribui para fomentar esta demanda adicional. ''A projeção do mercado é que haja um aumento no consumo energético pelos próximos cinco ou dez anos. E é justamente esse prazo que tem a maior parte dos pacotes do governos americano e europeus para tentar tirar pelo menos 20% da dependência destes países do petróleo'', comenta. Este período foi estimado para que haja uma estruturação da produção de biocombustível (etanol ou óleos vegetais), desde o plantio até a construção das usinas.
Em um período de curto prazo - até setembro ou outubro - os preços do petróleo serão mantidos em alta. No entanto, o analista avalia que se a cotação do combustível fóssil cair depois deste prazo haverá um impacto econômico na produção dos óleos vegetais, uma vez que o processo de fabricação é mais custoso do que o do etanol. ''Os governos estão deixando um pouco de flexibilidade (entre uso do etanol ou de óleos vegetais) porque se o preço do petróleo cair (abaixo dos US$ 45 o barril) as oleaginosas vão perder sua atratividade'', afirma Ito. Ele acrescenta que se a cotação recuar um pouco mais (na casa dos US$ 40 o barril) algumas empresas já deixariam de produzir etanol.
No entanto, alguns Estados americanos determinam em lei a utilização entre 2% e 5% de bioenergia. ''Se os Estados Unidos não produzirem, eles terão que importar. E isso é irreversível e, pelo menos, o mínimo a cota terá que ser cumprida, o crescimento do etanol é exponencial'', diz. Na sua avaliação, para os produtores brasileiros, em termos de lucratividade e preço, o mais indicado é o plantio de soja, por ser uma commodity mais exportável do que o milho. ''A sustentação do preço da soja é mais indireta do que direta. O mercado está comprando soja não porque acredita no biodiesel, mas porque o etanol é um tremendo negócio. Para se plantar mais milho é preciso plantar menos soja. Então, indiretamente, a soja está sendo beneficiada'', avalia. (F.M.)





