Mercado pode beneficiar produtor rural
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segunda-feira, 04 de julho de 2005
Fábio Calvetti<br> Agência Brasil 
São Paulo O comércio mundial de créditos de carbono, que prevê investimentos de países ricos em nações em desenvolvimento para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, beneficiará o produtor rural brasileiro, avalia o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que participou do 1º Seminário Agropauta de Jornalismo, em São Paulo.
Segundo o ministro, a expectativa é que o agronegócio brasileiro fature anualmente US$ 160 milhões com o mercado de créditos de carbono e que esse dinheiro chegue ao produtor rural. ''Esse é o grande objetivo do Ministério da Agricultura: que o produtor tenha uma renda adicional. Ele (produtor) já faz uma série de ações hoje que permitem o sequestro de carbono. Então, ele tem que se beneficiar disso também objetivamente. Já existe o mecanismo técnico que ele desenvolve. É preciso transformar esse mecanismo em renda'', afirmou Rodrigues.
Rodrigues anunciou que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em parceria com a BM&F e a Fundação Getúlio Vargas, está formulando uma proposta de especificação para o mercado brasileiro de emissões, que garantam os mecanismos de geração de renda. O estudo procurará definir as quantidades de carbono contidas em produtos, cultivos e árvores do país, também chamado de sequestro de carbono, e valores correspondentes em dólares a quem quiser investir na sua produção ou preservação.
Uma tonelada de carvão, por exemplo, sequestra em carbono o equivalente a US$ 5,63 de investimento, segundo o Banco Mundial. ''É preciso que se defina quanto carbono sequestra uma tonelada de cana, um hectare de eucalipto, um hectare de pastagem. É preciso que alguém certifique isso para que esse papel, a ser definido, seja comercializado em bolsa de tal forma que os países ricos, que fazem emissões, se beneficiem com o sequestro em países em desenvolvimento, no caso, o Brasil.''
O ministro afirmou ainda que não é possível prever uma data para a conclusão da proposta. ''É um estudo demorado porque implica um longo trabalho técnico''.


