Mercado pet deve faturar R$ 15,3 bi em 2014
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
O mercado brasileiro de produtos e serviços para animais de estimação fechou 2013 com faturamento de R$ 14,39 bilhões, crescimento real de 7,5% em relação ao ano anterior. Para 2014, a previsão é de que o setor fature R$ 15,3 bilhões, mas com crescimento um pouco menor, de 6,5%. Os dados são do Estudo Pet Brasil, realizado pela consultoria GS&MD Gouvêa de Souza e patrocinado por empresas como Nestlé e Pfizer. Os números mostram que, depois do "boom" dos últimos anos, o setor começa a desacelerar.
Ricardo Meirelles, sócio-diretor e economista-chefe do Núcleo de Estudos e Projeções Econômicas da GS&MD, diz que a pesquisa foi realizada pela primeira vez em 2011, quando o mercado pet cresceu 8%. No ano seguinte, o crescimento chegou a 8,5%, caindo um ponto percentual em 2013. Apesar da nova queda prevista para 2014, Meirelles explica que o freio no ritmo de expansão não significa desaquecimento do setor, que continuará crescendo bem acima da inflação.
"É um reflexo do cenário nacional. De 2002 a 2012 foi o que chamamos de década da bonança, um círculo virtuoso do qual o segmento pet se beneficiou muito. Agora, vemos um novo ciclo econômico iniciando, menos acelerado, com inflação mais alta, diminuição da massa salarial, e o segmento não deixa de ser afetado por isso", afirma o economista. Na opinião de Meirelles, todos os setores econômicos estão sentindo reflexos dessa desaceleração. Para ele, a atenção que os donos de animais dedicam hoje aos seus pets evitará que o mercado sofra quedas bruscas.
"Nós vemos hoje dois tipos de consumidores: o premium, que trata o animal como integrante da família e não deixará de gastar com ele, e o básico, que há alguns anos atrás não podia manter um pet e hoje tem condições", avalia. O Estudo Pet Brasil ouviu mais de 2,7 mil pessoas em diversas cidades do País e aponta que a alimentação tem maior participação nos ganhos do setor (49,3%), seguida de serviços veterinários (14,5%) e medicamentos (13,1%), fechando com higiene e embelezamento (9,1%).
Em Londrina, empresários do setor passam ao largo da tal desaceleração e veem o mercado em plena expansão, com crescimento bem acima da média nacional. O casal Cristiane e Wilson Kato, proprietário do Fort Dog Pet Shop há oito anos, classifica o momento como "excelente" e diz ter crescido cerca de 20% no ano passado. "Melhorou muito nos últimos três anos, mas 2013 foi nosso melhor desempenho e 2014 deve melhorar um pouco mais", estima Cristiane.
Mercado seletivo
Segundo Kato, o profissionalismo faz com que o mercado selecione os melhores do ramo, por isso, os investimentos têm que ser constantes. "É um ramo em que a pessoa acha fácil abrir a loja, mas não é fácil para se sustentar. Os brasileiros estão ganhando melhor, então exigem coisas boas para os cães também", avalia.
Gilberto Saito, proprietário do Latmia, pet shop e consultório veterinário, acredita que os "aventureiros", como ele classifica, tenham deixado o setor ao longo da última década e que o mercado está mais seletivo. "Hoje em dia não é só lavar o cão, estamos falando em estética animal. No passado, usava-se apenas xampu e condicionador no banho alguns até lavavam com sabão. Hoje, eu uso três tipos de xampu em cães de pelo baixo e cinco nos de pelos longos, sendo um específico para a face", compara.
Saito afirma ter crescido 19,82% em 2013 em relação ao ano anterior, registrando meses de até 23% de expansão. Para ele, as expectativas para 2014 são boas até julho, depois, ainda incertas. "Se o Brasil ganhar a Copa do Mundo todo mundo vai ficar feliz, o próprio governo ficará mais animado, mas se perder acho que a situação ficará mais complicada", avalia.



