A mudança de hábitos dos brasileiros em relação ao tratamento dos animais de estimação é o fator que mais contribuiu para o crescimento do mercado pet no Brasil. Segundo dados do Sindicato Nacional das Indústrias de Alimentação Animal (Sindirações), de 1994 até 2003 o mercado de alimentos voltados para animais de estimação creceu 690%. No ano passado, foram comercializadas 1,2 milhões de toneladas de alimentos pet (para cães e gatos) industrializados, representando um movimento econômico de US$ 500 milhões.
O secretário executivo do Sindirações, João Prior, informa que a expectativa do setor é fechar 2003 com um volume de vendas de 1,3 milhões de toneladas. Ele esclarece ainda que o Brasil produziu em 2002 cerca de 42 milhões de toneladas de alimentos industrializados, totalizando US$ 7 bilhões em vendas. ''O setor pet soma 2,9% das vendas dos alimentos industrializados para animais'', afirma Prior.
Além da mudança de hábito da população, que deixou de alimentar os animais com alimentos caseiros e passou para os industrializados, Prior credita o crescimento do setor à evolução tecnológica dos produtos. ''O desenvolvimento dos alimentos foi muito grande. Agora existem rações para determinados problemas de saúde, para animais de idade, raça e até pelagem diferentes'', exemplificou.
Prior comenta que existem hoje cerca de 27 milhões de cães e 11 milhões de gatos no País que demandam 3,2 milhões de toneladas de alimentos. Porém, a porcentagem dos animais tratados com alimentos industrializados alcança apenas 34% desse total. ''Pela análise de potencial de consumo acreditamos que esse número possa chegar em 50% nos próximos anos'', ressalta.
Em Londrina, a médica veterinária Elisa Matie Nishi, sócia de uma pet shop há nove anos, afirma que a procura por produtos específicos e cuidados com os animais tem aumentado gradualmente apesar do grande número de pet shops na cidade. Elisa estima que as vendas tenham crescido cerca de 50%. ''As pessoas procuram cuidar melhor dos animais e se interessam muito pelos novos produtos'', ressalta.
Outro ponto que pode ter impulsionado o crescimento do setor, segundo a veterinária, é a variedade e a melhora da qualidade dos produtos. Ela conta que existem rações até para os cachorros com problemas de coração. ''As pessoas estão descobrindo agora os novos produtos e estão gostando'', comenta Elisa, apontando um dos motivos para o crescimento do mercado pet.
Para Elton Júnior de Lucena, também dono de pet shop em Londrina, a expectativa de negócios é bastante positiva. Ele comprou a loja há dois meses. ''Esse mercado está em crescimento. São diversos produtos sendo lançados e que atraem as pessoas, pois elas gostam de novidades'', diz.
Segundo o comerciante, os clientes da sua loja também gostam de comprar roupinhas, xampu e condicionador, talco, colônia e tudo o que for para deixar os ''bichinhos''. ''A maioria das pessoas trata bem seus animais. Cuida como se fossem pessoas da família'', garante.

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