Incertezas sobre o futuro político-econômico da Argentina provocaram volatilidade e a retomada da alta do dólar no mercado brasileiro, depois de três dias em queda. Mas o pior não se confirmou. O mercado esteve longe do pânico e do descontrole. O câmbio comercial oscilou 1,69% no dia e fechou com ganho de 1,48%, vendido a R$ 2,3340. Ainda assim, neste mês a moeda americana acumula forte perda de 6,49% frente o real mas, no ano, o ganho ainda é expressivo, de 19,63%.
Empresas e tesourarias de bancos retomaram ontem as compras dólares para hedge (proteção) por causa das dúvidas sobre a continuidade de Fernando de la Rúa na presidência da Argentina e eventual desvalorização cambial, como consequência das mudanças na equipe de governo.
Pela manhã, no entanto, uma operação de exportação da Petrobras de cerca de US$ 150 milhões e o forte volume de ingresso de recursos captados por empresas seguraram a alta do dólar. Na máxima, a moeda americana foi vendida a R$ 2,3490 (+2,13%) e, na mínima, a R$ 2,31, com ganho de 0,44%.
Os anúncios de novas captações pelo Banco do Brasil (US$ 400 milhões) e Odebrecht Overseas Limited (50 milhões de euros ou cerca de US$ 45 milhões) amenizaram o mau humor. No entanto, os operadores não se arriscaram a apontar uma tendência para o dólar hoje, por que dependerá dos desdobramentos no cenário argentino.
A avaliação dos especialistas do mercado é de que hoje, também por ser véspera do feriadão de Natal, o volume de operações poderá se reduzir. Para a próxima semana, que será mais curta e a última do mês, também é esperada menor liquidez, mas poderá haver pressão sobre o dólar, por causa do vencimento de contratos futuros cambiais na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).
No mercado de ações, tudo bem. Assim os operadores definiram o comportamento da Bovespa frente aos caos na Argentina. No dia da demissão de toda a equipe econômica do país vizinho, de continuidade da violência em Buenos Aires e do aparente imobilismo do presidente Fernando De la Rúa, a Bovespa fechou em queda de apenas 2,70%, com volume financeiro de R$ 693 milhões.
Em contrapartida, a Bolsa de Buenos Aires disparou 17,48% aliás, fechou uma hora mais cedo pela insegurança nas ruas da capital. Os investidores argentinos estão em pânico e, pelo menos, a Bolsa estará a salvo de qualquer desfecho. O temor é a desvalorização.
O tom otimista do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em entrevista esta manhã, não passou despercebido. Fraga fez questão de dar só boas notícias e previsões, numa espécie de força-tarefa para minimizar o contágio do país vizinho.(Leia mais na página 8 do Primeiro Caderno)

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