Brasília - O mercado financeiro voltou a reduzir as previsões de inflação para 2005 e 2006, mas ficou mais pessimista com a trajetória de queda da taxa básica de juros definida pelo Banco Central (BC). É o que mostra a pesquisa semanal Focus, do BC, divulgada ontem. A expectativa agora é a de que o ciclo de queda do juro básico deve começar mesmo neste mês, como já se esperava, mas de forma mais moderada do que vinha sendo previsto.
Os analistas, que até a semana anterior esperavam corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 19,75% ao ano, diminuíram a aposta para uma queda de 0,25 ponto porcentual. A mudança refletiu as preocupações manifestadas na semana passada pelo mercado com a alta das cotações internacionais do petróleo e com a crise política.
O mercado passou a mostrar mais comedimento em relação à velocidade da queda dos juros depois que diretores do BC, em reuniões com analistas de instituições financeiras, na semana passada, teriam demonstrado cautela na avaliação do cenário econômico. O novo nível da Selic será definido na semana que vem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.
A pesquisa Focus ouve semanalmente previsões de 100 instituições financeiras e consultorias do mercado sobre alguns dos principais indicadores econômicos. A projeção do mercado para o IPCA em 2005 caiu de 5,26% para 5,23%, ficando ainda mais próxima da meta de 5,1% perseguida pelo Copom. Foi a 16 semana consecutiva de redução dessa estimativa. Também caiu a previsão do IPCA de 2006, de 4,90% para 4,85% (a meta fixada pelo governo é de 4,5%). O mercado também reviu as projeçções do IPCA para agosto, que recuou de 0,16% para 0,15%, e de setembro, que caiu de 0,35% para 0,30%. O IPCA de agosto será divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados positivos sobre a atividade econômica no segundo trimestre, divulgados na semana passada pelo IBGE, levaram o mercado a rever de 3% para 3,20% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2005. A projeção ainda é conservadora e está abaixo da previsão de 3,4% feita pelo governo, e que será revista para cima, conforme já antecipou o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo.
A pesquisa mostrou ainda que o mercado continua apostando em US$ 40 bilhões de superávit comercial neste ano, mas ajustou para cima a perspectiva de 2006, que passou de US$ 33,60 bilhões para US$ 33,73 bilhões. A projeção de superávit na conta de transações correntes em 2005 subiu de US$ 11,85 bilhões para US$ 12,10 bilhões, e a de 2006 aumentou de US$ 5,85 bilhões para US$ 6,19 bilhões.

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