A nova portaria do Ministério das Comunicações, que reduz o preço do telefone de R$ 300 para R$ 80 a partir de 1º de novembro, representa um futuro pouco animador para o mercado paralelo de compra e venda de telefones convencionais. As empresas que trabalham no setor começaram ontem a fazer as contas do número de clientes que devem perder. Eles acreditam que poucas pessoas vão querer comprar telefone com preços que variam de R$ 1,1 mil a R$ 1,5 mil, pois podem optar pelo mesmo produto 13 vezes mais barato. Em contrapartida, as lojas esperam uma enxurrada de pessoas tentando vender as linhas antigas.
A agitação no mercado deve começar a partir da próxima semana, quando ficar mais clara a regra para aquisição de uma linha de telefone convencional. Os interessados pagarão R$ 80 e ficarão com uma concessão para usar a linha, mas não poderão vendê-la, já que não será mais dono.
No mês de abril, quando o ministro das Comuicações, Sérgio Motta, anunciou que os telefones seriam vendidos por R$ 300, houve um crescimento de 40% na oferta de venda de linhas. Mas a euforia para se desfazer dos telefones e não ficar no prejuízo dura pouco, garantem os donos e gerentes das lojas especializadas em telefonia. ‘‘No primeiro mês, eles querem vender, mas depois vão perceber que não há telefone a R$ 300 ou a R$ 80 para comprar’’, afirmou um dos donos da Netphone Administração de Telefones, Norberto Ferrett. Ele não aposta numa queda sensível nas vendas, mas acha que este ramo do comércio está perto do fim. ‘‘Deve durar mais uns dois anos, até que a demanda seja atendida’’, afirmou. A Netphone vende em média 30 telefones ao mês.
Mais pessimista é a gerente da Ediphone, Maribel Joana D‘arc Barreto. ‘‘É o fim das lojas e o que é pior, muitas vão quebrar’’, prevê Maribel. Ela diz que as vendas estão praticamente zeradas nos últimos meses. A Netphone fechava 15 negócios por semana. Nesta semana não fechou nenhum. A empresa funciona hoje apenas com duas pessoas. Há um ano tinha cinco.
Além disso, a Ediphone convive com uma inadimplência de 50%, referente aos clientes que compraram telefone através de financiamento e desistiram na metade, achando que fizeram mau negócio. ‘‘Os clientes acham que vão conseguir na hora uma linha de R$ 300’’, afirmou Maribel. O presidente da Telepar, Álvaro Dias, diz que a fila do telefone convencional tem 345 mil clientes na espera.
O excesso de pessoas que querem vender os telefones antigos aliado à baixa procura pelas linhas fez com que o preço do telefone caísse sensivelmente. Há um ano, uma linha custava até R$ 3,5 mil. O telefone pode ser encontrado hoje por até R$ 1 mil. O salário de quem trabalha no ramo da telefonia também despencou. Um gerente chegava a ganhar até R$ 3 mil com a comissão pela venda e atualmente tem que se contentar com o piso salarial de quase R$ 400, dependendo da loja.
A presidente da Associação das Empresas de Revenda de Telefones do Paraná, Silmara Kubaski, disse que a solução para as empresas é diversificar o atendimento ao público, partindo para o comércio de telefones celulares, por exemplo. ‘‘Muitas já entenderam isso e das 52 empresas que vendem telefones no Paraná, somente oito são exclusivas para telefones convencionais’’, afirmou. Ela diz que as empresas querem ser parceiras da Telepar no atendimento aos interessados em comprar os celulares.

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