O ajuste nas empresas paranaenses envolvendo corte de custos e de pessoal - depois de começar pelos níveis funcionais inferiores -, atingiu este ano os escalões intermediários e superiores. A oferta de vagas para executivos no Paraná em 1996 caiu seguidamente até setembro, estabilizando-se a partir de outubro.
A constatação é da consultoria Bamberg, Figueiredo e Fuhrmann, especializada na recolocação destes profissionais no mercado de trabalho. ‘‘Inicialmente houve um pseudo-pânico com a necessidade do corte de custos, que começou pela moça do cafezinho. Este ano o corte atingiu os executivos das empresas’’, diz Márcio Bamberg, diretor da consultoria.
‘‘Antes a lógica era contratar e colocar este custo no preço. Hoje se o preço sobe a empresa está fora do mercado’’, explica Bamberg. Segundo ele, a administração das empresas está passando por uma transformação conceitual, que vai nos levar ao ‘‘padrão PP (patrão peão)’’, com a redução dos níveis hierárquicos e a aproximação entre os escalões superiores e inferiores. ‘‘Conheço uma empresa que tinha 14 níveis hierárquicos e hoje tem quatro’’, exemplifica.
Outra inovação deste novo padrão conceitual da administração, segundo Bamberg, é a redução da importância da permanência numa mesma empresa na avaliação da qualidade do profissional. ‘‘Antes, o profissional que ficava 20 anos na mesma empresa era considerado o bom. Hoje, o ‘quente’ é ficar três ou quatro anos no mesmo emprego, o que permite ter experiências diferentes e dá maior visão ao profissional’’, afirma.
Sobe e desce - Neste novo contexto empresarial, os profissionais da área de marketing, vendas, comunicação e todos os que se relacionam diretamente com o mercado e as pessoas estão mais valorizados, inclusive salarialmente. O mesmo acontece com os que trabalham na área industrial, por causa da importância da redução de custos.
Em contrapartida, os executivos financeiros perderam importância em relação à época de inflação alta, em que artimanhas financeiras eram capazes de garantir bons resultados às empresas.
Para Bamberg, a tendência de redução de pessoal nas empresas é irreversível e vai redefinir as relações entre elas e seus colaboradores. Ele lembra que as 500 maiores empresas norte-americanas já empregaram 25% da mão-de-obra do país. Hoje empregam formalmente 5% dos trabalhadores norte-americanos e projeções indicam que este número vai cair para 3% no ano 2000.
‘‘Boa parte dos profissionais que ‘sobrarem’ vão dar continuidade às suas carreiras como empreendedores. É a nota fiscal substituindo o contracheque’’, diz o consultor. ‘‘Outra possibilidade será ocupar-se de novas tarefas que surgirão. Para ter uma idéia desta renovação, daqui a 10 anos 75% do PIB japonês vai ser composto por produtos que ainda não foram inventados’’, acrescenta.
Além da redução dos níveis hierárquicos nas empresas, outro fator que reduziu as oportunidades de emprego para os executivos em 1996 foi, conforme Márcio Bamberg, a existência de um certo grau de incerteza na economia, apesar do sucesso do plano de estabilização. Segundo ele, a partir de janeiro será possível saber se as empresas terão uma postura mais confiante no futuro, optando por novos investimentos e contratações.

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