O mercado da soja em grão e farelo, que vinha em ascensão nos últimos dias, chegando a R$ 20,00/saca em Ponta Grossa, no mercado disponível de lotes, parou completamente ontem. Não foi apenas porque a Bolsa de Chicago recuou 1,5 pontos nos contratos de maio. Grandes compradores saíram do mercado na expectativa de que o cenário mude a partir de hoje com os novos números do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) sobre oferta de demanda.
Ao contrário do que ocorreu na terça-feira em que o mercado foi impulsionado pelo fechamento futuro de Chicago e pela alta do dólar, ontem a apatia foi geral.
Operadores estão apostando em outra variável altista: é relatório do Usda sobre a safra norte-americana, na próxima semana. Concluída a colheita, o Usda deve ajustar os números ‘‘para patamares mais realistas’’, conforme o gerente de comercialização de uma cooperativa do Oeste do Paraná.
No início da semana o mercado físico paranaense ‘‘andou’’ por conta dos números apresentados por três empresas de consultoria. Elas se anteciparam ao que poderá ser o indicador do Usda sobre a produção americana.
A Sparks, das mais credenciadas, está prevendo 75,03 milhões de toneladas. Seus técnicos acham que o relatório do Usda vai apontar algo em torno disso. A FC Stone, estima a safra americana em 75,50 milhões de t. A Leslie/ADM, 75,17 milhões de t. Não será difícil que o Usda corrija suas projeções em cerca de 1,2 milhão de toneladas. O relatório do Usda de outubro apontou uma produção de 76,8 milhões de toneladas.
No Oeste do Paraná, ontem, havia uma idéia no mercado de que o Usda deverá elevar entre 500 mil e 1 milhão de toneladas as próximas colheitas do Brasil (33,5 milhões de t) e da Argentina ( 22,6 milhões de t).
O analista Camilo Motter, da Granoeste, disse que esta é mais uma variável que aumenta a expectativa do mercado. Embora restem menos de 8% da safra paranaense a ser comercializada, o mercado é uma atividade permanente pois nesta época aumenta o interesse da fixação de preços no mercado futuro.
Não são apenas as três consultoras independentes, citadas acima, que apostam na redução (da estimativa) da safra norte-americana. A média das projeções feitas dias atrás por 21 consultores de mercado apontam para um número ao retor de 75,7 milhões de toneladas. Acima desse patamar, qualquer referência será mera especulação ou estratégia do Usda. Mas o Usda não tem interesse em manter número superficial neste momento em que a colheita já está terminada e as intenções de plantio na América Latina já estão bem definidas.

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