São Paulo - Pouco importa quem ganhe ou perca nestas eleições. Para muitas micro e pequenas empresas que se dedicam a fabricar brindes, esta época do ano é sempre o momento de comemorar aumento de vendas, que crescem cerca de 15% por causa das campanhas políticas. Algumas, como a fabricante de placas Poppop, chegam a dedicar toda a sua produção durante o período só para as campanhas. ‘‘Trabalho estes dois meses cheio de pedidos e nos outros dez para manter a empresa, porque a política é muito curta, mas vale a pena’’, acredita Daércio Souza, proprietário da empresa, que tem 18 funcionários e faz a impressão de placas, quadros e mega banners.
  Esta já é a sexta eleição que a Poppop trabalha neste esquema e Souza acredita que isto só é possível porque conhece muito bem seus clientes. ‘‘Trabalho só para candidatos que conheço ou tenho indicações’’, revela. Por causa disso, nunca teve problemas na hora de receber. ‘‘Não tem nada desonesto e tudo é feito com nota fiscal, porque todos os candidatos são obrigados a prestar contas no Tribunal Regional Eleitoral’’, diz.
  Para Souza, um dos maiores desafios do ramo é a concorrência, que na visão dele chega a ser desleal. Exemplo disso é que, na capital, ele vende placas a R$ 2 e lucra nisso R$ 0,30 centavos. ‘‘Mas existem empresas aqui que vendem a R$ 1,50 e não sei como sobrevivem’’, diz. Mesmo assim, durante as eleições, a empresa de Souza produz 70% a mais do que no restante do ano.
  Diversidade - São muitas canetas, pentes, porta-títulos, lixas de unhas e até batons, que podem servir de propaganda para os candidatos. A Still Promotion trabalha com todos eles e muitos outros para atender aos pedidos dos candidatos, mas Douglas Alves, proprietário da empresa, conta que os brindes mais procurados são os de valores mais baixos.
  Ele explica que existem dois tipos de encomendas: para candidatos à prefeitura, cujas compras são de maior valor agregado, e de candidatos a vereador, com itens baratos e que fazem mais volume, como um porta-título, que custa R$ 0,06. ‘‘Um candidato pode, então, gastar cerca de R$ 600 e sair com um monte de material para entregar. Se ele for de uma cidade pequena, vai poder distribuir brindes para quase todo mundo’’, diz. Na Still, os anos de eleição significam pelo menos 15% a mais no faturamento bruto da empresa. ‘‘Mas 2004 foi atípico, pois tivemos a Olimpíada e sempre quando acontecem estes grandes eventos, assim como a Copa do Mundo, recebemos mais pedidos’’, comenta.
  Alves conta que, mesmo já trabalhando há 12 anos no segmento, as dificuldades para se conquistar o mercado eleitoral são muitas. ‘‘Temos que procurar nosso espaço, pois é um mercado duro. Existem muitas agências de candidatos que não pagam’’, afirma. Na sua empresa, quando o material trabalhado é para uma campanha eleitoral, ele cobra 50% de adiantamento. O restante é pago na entrega do pedido. ‘‘Temos que ter uma certa garantia, pois quando trabalho com companhias grandes é diferente, o nome dela está em jogo. Agora um candidato se perde, pode desistir de tudo, inclusive de seus compromissos financeiros’’, acredita.
  Outra característica essencial para uma empresa que se predispõe a lidar com este mercado, de acordo com Alves, é a agilidade. ‘‘Os prazos de entrega são de até sete dias e tudo é extremamente rápido. Não adianta aceitar o pedido se sua empresa não tem estrutura’’. Para estas eleições, a Still, que tem 12 funcionários, aumentou o quadro durante as semanas de pico e chegou a ter 20 pessoas envolvidas no processo de produção. Além disso, ele conta que quando o volume de pedidos cresce muito, chega a fazer de 15 a 20 entregas por dia.

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