Mercado nervoso; bolsa cai, juro e dólar sobem
Das agências
As bolsas de valores intensificaram no período da tarde um movimento de baixa de preços iniciado na manhã de ontem. Lideraram as baixas as ações do setor elétrico, que foram influenciadas por declaração dada pelo ministro Rodolpho Tourinho, que acenou com a possibilidade de a cisão de Furnas ser adiada para o próximo ano por causa de ações judiciais. Operadores comentavam que a queda das teles foi puxada pelo mercado norte-americano, onde investidores estrangeiros teriam realizado lucros com ADRs de empresas brasileiras.
O movimento de baixa das ações deu-se ainda em meio a uma série de boatos que correram o mercado no período da tarde. A demissão do ministro da Fazenda, Pedro Malan, foi um deles.
Esse é um boato recorrente do mercado. E como tem-se falado em reforma ministerial, o Malan entrou na dança hoje, disse um operador. Às 17h49, o porta-voz do Palácio do Planalto desmentiu categoricamente que o ministro Pedro Malan estivesse deixando o governo.
O fato é que quando o mercado tem baixa liquidez, ele fica mais suscetível a boatos e também a notícias que, em dias de maior volume de negócios, teriam impacto menor sobre os preços. Foi o caso, por exemplo, de outro rumor de que um banco estrangeiro estaria reduzindo a participação do Brasil em sua carteira de ações e aumentando a parcela reservada ao México.
O humor do mercado de renda fixou piorou ontem. O ponto de partida principal foi o leilão de papéis do Tesouro. Os juros dos títulos prefixados ficaram perto das taxas máximas pedidas no leilão pelas instituições financeiras.
A Bolsa de Valores de São Paulo registrou queda de 2,19%. A do Rio, teve recuo de 0,89%. A média ponderada do dólar comercial do Banco Central ficou em R$ 1,7754, alta de 0,52% sobre anteontem. O dólar no mercado comercial fechou a R$ 1,777 para compra e a R$ 1,779 para venda. O dólar paralelo fechou em R$ 1,81 para compra e R$ 1,84 para venda.
Operadores da Bolsa do Rio de Janeiro comentavam, no final da tarde, o impacto do anúncio de venda de 25 toneladas de ouro por um banco inglês. No Brasil, o preço caiu ao nível mais baixo dos últimos 20 anos.





