A indústria está de acordo com as reivindicações dos produtores, mas diz que não há como o mercado assimilar um valor superior a R$ 270 por tonelada da raiz, avalia Roland Schurt, presidente do Sindicato das Indústrias de Mandioca do Paraná (Simp). Ele avalia que para o produtor sair do prejuízo e equilibrar os seus custos, o valor da tonelada deveria ficar entre R$ 250 e R$ 260 a tonelada.
Schurt destaca que quem estabelece o preço é o mercado e não as indústrias. "Em São Paulo e Mato Grosso do Sul, o valor da tonelada da raiz pago ao produtor está em R$ 150". Por isso, observa ele, não é possível elevar o valor no Paraná porque se houver um aumento aqui, o Estado perderá competitividade. Sem a entrega de matéria-prima, Schurt aponta que 95% das indústrias do Paraná estão paralisadas.
O presidente do Simp conta que a indústria também reivindicou junto ao governo federal maior aquisição da produção para que a oferta e demanda fiquem equilibradas. Questionado sobre a consequência da paralisação no fornecimento de matéria-prima para as fecularias, Schurt destaca que não deve faltar farinha no mercado porque em outros estados não há manifestação. "O movimento também deveria ocorrer em São Paulo e Mato Grosso do Sul", destaca o presidente, com o objetivo de forçar uma medida de apoio mais rápida por parte do governo.
Schurt observa que representantes da indústria já realizaram algumas reuniões com os produtores para encerrar a paralisação, mas não saiu acordo. "Mas 80% dos produtores são contrários ao movimento porque têm contas a pagar e precisam do dinheiro", descreve o dirigente. No ano passado, as indústrias paranaenses produziram 600 mil toneladas de fécula. (R.M.)

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