Mercado não reage às compras da Conab
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sexta-feira, 05 de dezembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
O anúncio feito pela Conab, terça-feira, de que irá interferir no mercado de feijão e comprar o produto pelo preço mínimo de R$ 26,00/saca e elevar as cotações ao produtor, ainda não provocou a reação esperada. O produto considerado de fraca comercialização, em função da qualidade do grão afetada pelas chuvas, continua sendo cotado entre R$ 21,00 e R$ 22,00 a saca e o produto de pior qualidade, entre R$ 14,00 e R$ 15,00 a saca. O problema é que existe feijão sem condição de comercialização, que não dá para pagar R$ 5,00 a saca, afirmou um cerealista de Ivaiporã.
O feijão do Paraná apresenta elevada incidência de grãos mofos, ardidos e brotados e está difícil a sua comercialização, principalmente para as praças de São Paulo e Rio de Janeiro, informou Marcelo Eduardo Luders, diretor da corretora de cereais Correpar.
Os cerealistas de Ivaiporã, que estão mais próximos do produtor reconhecem que a situação é delicada e tem levado muitos agricultores ao desespero. Mas argumentam que não têm o que fazer. Um cerealista comprou ontem 1.000 sacas de feijão e está sem colocação. Segundo ele, os cerealistas de São Paulo estão se abastecendo com feijão de Barreiras (Oeste da Bahia), que está com melhor qualidade e não estão comprando no Paraná este ano.
Segundo Marcelo Luders o preço do feijão de cor de qualidade extra está avaliado em R$ 38,00, só que essa mercadoria não existe hoje no Paraná, explicou. Segundo ele, se a Conab está disposta a aplicar R$ 4 milhões na compra de feijão, precisa entrar de uma vez no mercado para provocar alguma reação nas cotações do feijão de qualidade intermediária. Se o órgão diluir essa compra ao longo do mês, a iniciativa vai se diluir e não terá efeito algum para elevar o preço ao produtor, avalia Luders.


