Curitiba - Indústrias e comércio não estão acreditando que a guerra irá se prolongar a ponto de provocar mais prejuízos para a economia. Para o presidente da Federação do Comércio, Indústria e Agricultura do Paraná (Faciap), Jefferson Nogaroli, o impacto que a guerra poderia provocar na economia já foi absorvido.
Segundo ele, o mercado sempre cobra a fatura com antecedência e não foi diferente com a guerra. ''Os aumentos de preço que tinham que ocorrer, já foram repassados e estão evidentes nos indicadores inflacionários.'' Para Nogaroli, o efeito de que haverá prejuízos é mais psicológico do que real. O empresário não acredita em redução da atividade industrial e comercial, até porque as indústrias brasileiras são menos dependentes do petróleo. ''Aqui as indústrias dependem da eletricidade e não das termelétricas como ocorre em outros países'', destacou.
As indústrias exportadoras de frango estão até otimistas com o conflito. Se a guerra não durar muito tempo, a tendência é elevar ainda mais os embarques para a região do Oriente Médio, porque trata-se de um alimento, cuja demanda deve aumentar ainda mais, disse Domingos Martins, presidente do Sindicato da Indústria de Abatedores Avícolas do Paraná (Sindiavipar).
Caso a guerra se prolongue por mais tempo, aí entra a preocupação com o custo dos fretes que pode ser elevado. De acordo com Martins, o tráfego de navios nos mares e oceanos pode ser restrito a zonas desmilitarizadas e quando o risco é maior, o preço também é maior. Nesse sentido, as exportações paranaenses de grãos (soja e milho) e frango podem ser afetadas.
Para o professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Nilson de Paula, o grande problema é o clima de incerteza do que pode vir depois. E os indicadores econômicos e preços embutem essa incerteza. Por outro lado, o Brasil está se apresentando como país mais confiável e isso pode atrair o investimento de capitais estrangeiros que normalmente iriam para países que estão se envolvendo com a guerra, lembrou.
Nas projeções feitas pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), os efeitos da guerra no Iraque não devem influenciar a economia brasileira. ''O presidente (Luiz Inácio Lula da Silva) já sinalizou que a Petrobras deve esperar os desdobramentos da guerra para só depois fazer repasses de preços, se for necessário'', observou o economista do Dieese, Cid Cordeiro. Na avaliação dele, os combustíveis no Brasil devem sofrer aumento apenas se o conflito se estender por muito tempo. (Colaborou Rosana Félix)

mockup