Mercado não aceita mais estabilidade
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sexta-feira, 24 de junho de 2005
Da Redação 
Houve uma época em que a pessoa era admitida em uma empresa e continuava nela até se aposentar. A rotatividade era mínima. Hoje já não é mais assim. A nova realidade do mercado, a competitividade entre as empresas e a exigência de qualificação sempre mais apurada, deixaram para trás o que antes era comum: a certeza de estabilidade no emprego.
Atualmente, atestam as empresas de recolocação profissional, pouquíssimas pessoas ficam mais de 10 anos no mesmo emprego. Com exceção do funcionalismo público que não pode ser demitido a não ser por faltas gravíssimas e mesmo assim só depois de um longuíssimo processo administrativo, ninguém mais tem a garantia de permanecer no emprego.
Segundo o Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LDR), as pessoas começam a entender que as empresas da iniciativa privada, pela alta competitividade a que são submetidas diariamente, não admitem mais o paternalismo. Hoje tem mais chances no mercado pessoas habilidosas, competentes e capazes de desenvolver atividades tanto sozinhas como em grupo.
''Aquele vínculo de trabalho de 15, 20 ou mais anos na mesma empresa reduziu muito. A realidade é outra. Se o funcionário não produzir de acordo com o que necessita a empresa, ele vai para a rua'', comenta o empresário Nelson Aparecido Barizon, proprietário da Admita Recursos Humanos. Por outro lado, quando o funcionário começa a se destacar fica valorizado e passa a ser alvo de cobiça de outras empresas.
Segundo Barizon, para se manter empregado, além de ter uma produção adequada, o funcionário precisa estar sempre buscando novos conhecimentos. A lógica é simples. Se uma empresa contrata dois office boys; um deles tem curso de informática e o outro não, é lógico que o que é mais capacitado terá melhores oportunidades. E isso vale para qualquer função.
Quem procura um emprego deve estar sempre atento ao seu nível de empregabilidade, ou seja, ao conjunto de atributos necessários para a obtenção de um bom serviço ou a capacidade de manter-se empregado. A busca de qualificação é imprescindível para permanecer no mercado de trabalho. E, é bom frisar, este processo não termina quando a pessoa consegue uma colocação. Ela precisa estar sempre atenta às oportunidades e provar para o empregador que vale a pena investir nela.
''Pessoas que não funcionam são onerosas para as empresas'', reforça Solange de Oliveira Rabelo, proprietária da Alternativa Recrutamento e Seleção. ''Se numa mesma empresa uma pessoa produz dez peças de roupa e outra apenas cinco, isso cria um problema para o empresário. O que faz menos acaba contaminando os demais'', explica Solange Rabelo.
Parece uma contradição com o que foi dito até agora, porém, o interessante nesta matemática é que as empresas, quando contratam funcionários, esperam que eles fiquem, não eternamente, mas um bom tempo no emprego. A rotatividade não é interessante para elas, pois um funcionário, por melhor que seja, precisa de um tempo para se adaptar às rotinas do novo emprego e das novas funções.
''Quando uma telefonista, por exemplo, é contratada, ela passa por um treinamento orientada por um outro funcionário. Isso custa para a empresa. Se ela, quando está pronta, vai embora, é prejuízo para o empregador'', comenta Solange Rabelo.


