Após três dias úteis em queda, o dólar comercial inverteu de mão ontem à tarde e fechou com alta de 0,54%, cotado na venda a R$ 2,0340. Compras de dólar para remessas ao exterior feitas por bancos estrangeiros à tarde e rumores de que fatos novos envolvendo pessoas próximas ao presidente FHC podem surgir nesses próximos dias pressionaram as cotações do ‘‘pronto’’. A variação positiva ontem reduziu a perda contabilizada pelo comercial frente ao real neste mês, até o momento, para -0,64%. Durante o dia, o comercial teve forte volatilidade. A moeda oscilou 0,84%, entre a mínima de R$ 2,018 (-0,25%) e a máxima de R$ 2,035 (+0,59%).
O mercado de juros, onde as taxas recuavam pela manhã, acabou reagiu negativamente ao câmbio e a uns poucos boatos desencontrados ontem à tarde. Ao final do dia, as projeções de taxas dos contratos de DI futuro, bem como as taxas dos negócios com títulos públicos, registravam alta em relação aos níveis da manhã e estabilidade frente ao fechamento de anteontem. O cenário externo, com o bom comportamento das bolsas norte-americanas e a receptividade dos mercados ao novo ministro argentino da economia, López Murphy, era inteiramente favorável.
Investidores que atuaram no day trade operaram ontem cedo contando com este quadro mais tranquilo. Foram, no entanto, pegos no contrapé: primeiro com a alta do dólar, consequência de compras mais fortes por parte de instituições financeiras e, segundo, pelos boatos focando a instabilidade política. A corrida, portanto, para desfazer as posições de day trade acentuou o comportamento negativo dos juros, que continuaram subindo inclusive na negociação eletrônica após o pregão normal.
O índice Bovespa chegou a subir 1,67%, na máxima do dia, enquanto que, em Nova York, o índice Nasdaq apresentava valorização superior a 4% no período da manhã. Depois das 15 horas, no entanto, o mercado começou a virar com rumores de que a disputa política em Brasília poderá ter um novo round a partir de hoje. O início da virada aconteceu no mercado de câmbio e depois atingiu também a Bovespa, que fechou em -1,29%.
O novo ministro da Ecomomia, Ricardo López Murphy, estaria preparando uma série de medidas, que consistiriam em fortíssimos cortes dos gastos do Estado ao redor de US$ 3,5 bilhões. A informação foi fornecida por diversas fontes governamentais aos meios de comunicação argentinos e confirmada por analistas econômicos, que sustentam que em troca do drástico ajuste, López Murphy ofereceria uma redução de alguns impostos, entre eles o Imposto sobre o Lucro, como forma de estimular o consumo e investimentos. Calcula-se que com esta redução tributária ficariam liberados para a economia ao redor de US$ 1,5 bilhão.
(Mário Rocha, Silvana Rocha e Marisa Castellani)

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