Mercado movido pela saudade


Lais TaineReportagem Local
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A experiência de morar fora do País foi uma das inspirações para João Fernando Zogheib iniciar a exportação de produtos brasileiros, inicialmente a tapioca
A experiência de morar fora do País foi uma das inspirações para João Fernando Zogheib iniciar a exportação de produtos brasileiros, inicialmente a tapioca | Saulo Ohara





Leandro Gomes, 39, levou paçoca, achocolatado e talco na mala de volta para Verona, na Itália, onde vive há 12 anos. Em sua última visita a Londrina em março deste ano, teve a oportunidade de transportar produtos do que chamam de mercado da saudade. A área movimentou no Brasil pelo menos U$ 30 milhões em 2017 e é observado por empresários interessados no comércio externo.

"O mercado da saudade é aquele que a gente consegue colocar produto brasileiro onde a demanda é em função ou de brasileiros que estão no exterior ou de estrangeiros que conhecem o Brasil e têm vontade de ter acesso a esse produto", afirma Laudemir Bueno, supervisor de agronegócios da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

A organização possui projeto de promoção de exportações em parceria com a Abba (Associação Brasileira dos Importadores e Exportadores de Alimentos e Bebidas) em que 57 empresas apoiadas movimentaram U$ 31 milhões em 2017, levando produtos brasileiros a 58 destinos diferentes. Os mais exportados foram: água-de-coco (50,5%), outros leites, cremes de leite, concentrados, adocicados (13,2%), misturas e pastas para a preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos (10,6%) e caipirinha (5,5%). Estados Unidos e Canadá são os países que mais recebem essas mercadorias.

Embora seja uma abertura, alguns empresários esbarram em dificuldades. "Uma delas é encontrar esses brasileiros ou estrangeiros que desejam esse tipo de produto, além dos desafios comuns", afirma Bueno, mencionando sobre clareza, estrategia e mobilização da empresa. Ao mesmo tempo, indica o mercado como parte de um trajeto maior. "É um mercado importante, mas não deve ser o objetivo final. O ideal seria começar na comunidade brasileira, ganhar uma escala e aí sim investir. É uma porta de entrada e um instrumento para o mercado global", explica. Para o comércio, alguns produtos devem passar por adequação de tamanho, rótulo e embalagem para certificação, seguindo as exigências do país de destino.

Após 9 anos trabalhando na área de comércio internacional e morar fora, João Fernando Zogheib, gerente comercial do Paraná Trading, teve a ideia de exportar tapioca. "Eu não tinha ideia do conceito de mercado da saudade, comecei focado com a tapioca e os próprios clientes pediam para compor outros produtos", afirma. Percebendo a demanda, viu a oportunidade de negócios com uma agência comercial. "Uma empresa pode procurar uma comercial exportadora, importadora ou trading para facilitar a operação em três aspectos: comercial, seja para encontrar um fornecedor ou um cliente, facilitar na logística e no desembaraço", explica.

Nesta ponte de negociações, conhece o que pode dar certo ou não em outros países. "O brasileiro que está lá vai tentar preservar o hábito no dia a dia. Ele está preocupado com o mix, porque não quer comprar só arroz e feijão, se puder, vai comprar leite de coco, o nosso café, ou até uma sobremesa, como doce de leite, goiabada, maria-mole. Vai fazer isso para reforçar o laço e até para preservar as tradições dentro da família", argumenta.

É o que Gomes tenta fazer. Embora consiga encontrar alguns produtos em mercados da região onde mora, sempre acaba levando alguns itens da visita ao Brasil. Feijão, paçoca, farinha de mandioca e gelatina vão sempre na bagagem. "Nós procuramos produtos brasileiros aqui, nem sempre encontramos, mas isso tudo depende da região e da concentração de brasileiros. Existem alguns mercados onde conseguimos algumas coisas, como feijão, paçoca, guaraná, goiabada e farinha de mandioca", conta.

Considerando o potencial, o mercado teve altos e baixos acompanhando a imagem do Brasil lá fora. Em 2014, com a Copa do Mundo no País, 50 empresas apoiadas movimentaram U$ 62 milhões. Em 2016, as Olimpíadas do Rio ajudaram a circular U$ 49 milhões por 52 empreendimentos. "O mercado da saudade tem um potencial importante, até porque o Brasil vem se abrindo cada vez mais, temos projeção internacional cada vez maior com o País na vitrine e estamos melhorando e qualificando mais nossos produtos", prospecta o supervisor da Apex-Brasil.

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